foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em junho, 2014

ARRUDA E O JULGAMENTO DO POVO

30 de junho, 2014    

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“Vou atrás do julgamento mais importante, o julgamento do povo”. Com essa frase, em plena Copa, José Roberto Arruda é novamente candidato, como se lê no Globo (30/06/14): “Condenado, Arruda lança candidatura ao governo do DF”.

Em 2009, Arruda foi flagrado em vídeo recebendo maços de dinheiro de um auxiliar que o alcaguetou por motivos pessoais, no que ficou conhecido como “mensalão do DEM”. Desfiliado do partido, foi cassado e chegou a ser preso. A seu lado na convenção que o lançou, a deputada Jaqueline Roriz, que também foi flagrada recebendo maços de dinheiro; o ex-senador Luiz Estevão, que teve o mandato cassado e que também esteve preso por envolvimento no escândalo do TRT de SP, junto com o juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau; a representante do ex-governador Roriz na referida convenção, o qual teve que renunciar ao mandato de senador por não ter conseguido explicar o recebimento de um cheque de R$ 2,3 milhões.

Bem, considerando que Arruda está à frente nas pesquisas, não há como deixar de lhe dar razão. De duas, duas: ou o povo entende que trocar seis por meia dúzia dá no mesmo, o que indicaria que sabe votar; ou o Brasil vai se firmando realmente como uma cleptocracia, o que dá no mesmo.

Bem ou mal, com superfaturamentos e aditivos nas obras, a Copa ainda é um lenitivo.

 

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A INVASÃO DO MARACANÃ E A “GENI”

20 de junho, 2014    

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Na última quarta feira, 18/06, os comentaristas de rádio e TV, e o noticiário online dos jornais, sabedores de que o controle do acesso ao interior do estádio e a segurança interna incumbiam a empresas privadas (e não à PM, encarregada apenas da segurança externa, no entorno), cobravam da Fifa, da CBF e do COL explicações sobre a invasão de mais de cem torcedores chilenos antes do jogo Chile x Espanha (problema que já ocorrera no jogo Argentina x Bósnia). E eu dizia para mim mesmo: “Vão arranjar um jeito de culpar a Geni, digo, a PM”. Os invasores empurraram o portão que dá acesso ao setor da imprensa, invadiram o Centro de Mídia, derrubando divisórias e danificando equipamentos. Alguns jornalistas, na busca de responsáveis pelas falhas, quiseram saber quais as empresas contratadas, a experiência anterior das mesmas, o número, qualificação e treinamento dos seguranças por elas empregados, os valores dos contratos etc. Nada. E eu: “Vão arranjar um jeito de culpar a Geni”.

Lê-se no ‘UOL Esporte’ de hoje, 20/06, no blog de Rodrigo Mattos (Cf. link abaixo): “Falha, segurança do Maracanã vira caixa-preta da Copa-2014”, onde o jornalista afirma: “O COL (Comitê Organizador Local) transformou em uma verdadeira caixa-preta a segurança privada no Maracanã na Copa-2014”. E eu: “Vão arranjar um jeito de culpar a Geni”. Eis que, “bingooo!”. Leio na coluna do Ancelmo, também hoje, no Globo: “Embora o erro maior tenha sido da Fifa, responsável pela segurança dentro das arenas, a Polícia Militar falhou nesta invasão dos chilenos ao centro de imprensa do Maracanã. Cabe aos PMs, em volta do estádio, barrarem [sic] o acesso de pessoas sem ingressos. E foram centenas”.

Pergunto: será que a coluna se esqueceu mesmo das empresas e dos seguranças privados? Bem, a Geni também serve para desviar o foco. Afinal, plagiando o poeta, ‘Ela é feita pra apanhar’/ ‘Ela é boa de cuspir’. Fico imaginando, num jogo com expectativa de público de mais de 70 mil torcedores, os PMs abordando as pessoas “em volta do estádio” (onde a circulação é livre) para saber, primeiro, se o abordado vai ao jogo ou é um transeunte; segundo, em caso de responder que pretende ir ao jogo, se porta o ingresso. Coitados dos moradores das redondezas!… E coitada da Geni. No caso da invasão dos chilenos, chamada às pressas, pôs ordem na festa, junto com sua prima, a PC. Aí, tudo resolvido, volta a receber bosta na cara, até que dela precisem de novo, como se anuncia, já que falam em reforço da segurança. Nem vai ser preciso pagar os milhões pagos às empresas. A Geni tem que ir de graça, com os seus agregados tendo que ‘pagar’ para ir, obrigados que são a se multiplicar, em prejuízo de folgas, férias e descanso, numa espécie de “milagre da multiplicação dos PMs”. Depois…

Obs. Link da postagem do UOL: http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2014/06/20/falha-seguranca-do-maracana-vira-caixa-preta-da-copa-2014/

 

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DIA DA CRIANÇA AFRICANA E O PAÍS DA COPA DE 2010

17 de junho, 2014    

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Ontem, 16 de junho (Dia da Criança Africana), postagem no Facebook de Fernando Peregrino lembrou que, nesse dia, em 1976, centenas de crianças foram massacradas porque lutavam por mais educação e contra a proibição de falar a própria língua. “Encaminhei” a postagem de Peregrino aos amigos do Facebook. O leitor Ronaldo Soares de Souza sugeriu que mais informações a respeito fossem divulgadas para que mais pessoas tomassem conhecimento. Ocorreu-me que, bem antes da Copa de 2010, publiquei artigo no qual contextualizava o episódio. A coincidência do título do mencionado artigo (“O País da Copa de 2010”) motivou-me a encaminhar o seu link a Ronaldo. Faço o mesmo agora, no momento em que o palco da competição é “O País da Copa de 2014”. Se interessar, é só clicar. http://www.jorgedasilva.com.br/artigo/33/o-pais-da-copa-de-2010/

 

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COPA E OLIMPÍADAS. – DA EUFORIA AO DESALENTO

11 de junho, 2014    

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(Nota: Em tempo de protestos, republico postagem de 16/07/2011, com a advertência de que o título da mesma, em forma de pergunta, foi dado em outro contexto, no auge da euforia geral. Não tinha o objetivo, como não tem, de fazer troça, e sim de chamar a atenção para a distância entre a fantasia e a realidade. O desalento era previsível).  

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“EIKE BATISTA VAI MORAR EM MADUREIRA!?”

O jornal inglês The Guardian (26 dez 2010) publicou entrevista do empresário Eike Batista, em que ele declara: “Eu olho para o futuro do Rio, vejo uma mistura de Califórnia, Nova Iorque e Houston”. Revelou ter projeto de construir “uma super-moderna cidade digital”, distante 240 quilômetros da capital, e falou de investimentos na limpeza da Lagoa Rodrigo de Freitas; no estabelecimento de um cruzeiro de luxo para turistas; na remodelação da Marina da Glória e na restauração do Hotel do mesmo nome. Tudo isso numa cidade sem violência, motivo pelo qual teria doado mais de R$ 100 milhões para o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Embora se reconheça o seu desprendimento e, mais que isso, a sua sensibilidade comunitária – do que é exemplo, dentre outras ações, a grande ajuda às vítimas das enchentes da Região Serrana –, cumpre alertá-lo quanto a um vício recorrente entre as camadas mais altas da sociedade do Rio de Janeiro, do qual talvez fosse conveniente livrar-se: o de se referir à Zona Sul como se esta fosse toda a cidade. Em sua entrevista deixou transparecer isso. Deu realce a dois pólos: algum lugar a 240 quilômetros, e a Zona Sul.

Em outubro de 2009, logo após a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas, publiquei “post” (Olimpíadas no Rio: Oportunidade de Integração Social I), no qual chamava a atenção para uma preocupação então manifestada por muitas pessoas: a concentração excessiva de investimentos na Zona Sul e Barra da Tijuca, em detrimento do restante da cidade e do estado. (Conferir em http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=567). De lá para cá, as coisas mudaram um pouco. Mas podem mudar mais. Naquele “post”, em dado trecho escrevi:

“[…] o grande desafio é integrar os dois lados da ‘cidade partida’: ‘favela e asfalto’, ‘periferia’ e ‘para-cá-do-túnel’. Fernando Gabeira, candidato a prefeito do Município em 2008, prometeu na Zona Oeste: “O prefeito não vai morar apenas no Rio. Ele vai ter um gabinete de trabalho aqui”. […] Para não incorrerem no mesmo erro, não seria o caso de se sugerir ao governador Sérgio Cabral que se mude do Leblon para a Penha? E ao prefeito Eduardo Paes, da Barra da Tijuca (ou da residência oficial na Gávea Pequena) para Madureira? E a Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, do Leblon para Marechal Hermes? Pelo menos até 2015.”

Agora acrescento: que tal Eike Batista também se mudar por alguns meses da Zona Sul para Madureira? Conheceria toda a cidade. Aí, sim, não só a integração estaria garantida, como o Rio (cidade e estado) poderia vir a ser realmente uma mistura de Califórnia (aliás, um estado), Nova Iorque (estado e cidade) e Houston? E sem violência. Nem precisaria doar mais dinheiro para as UPPs da periferia.

julho 16th, 2011

 

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COPA. – A OUTRA COISA

7 de junho, 2014    

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Gente!… Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Uma coisa são os estádios bilionários, superfaturamentos, aditivos e falcatruas de poderosos das camadas altas, em prejuízo da educação e da saúde do povo; outra coisa é a seleção brasileira de futebol, constituída de jovens atletas, a maioria saída das camadas populares, e que não são culpados de tal inversão de valores nem das falcatruas. Daí por que não me associo aos que insistem em transformar os jogadores em bodes expiatórios de mazelas alheias. Por que hostilizá-los e ameaçá-los, como tem ocorrido? Entendo que, amantes ou não do futebol, devemos, sem esquecer a “uma coisa”, torcer pela “outra coisa”, em homenagem ao talento dos astros do esporte mais popular do Brasil. Nada contra hostilizar os responsáveis pela “uma coisa”.

 

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