foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em abril, 2013

SEM MEDO DA LEI, E A NATURALIZAÇÃO DA MORTE NO BRASIL

27 de abril, 2013    

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Manchete: “Dentista foi queimada viva em São Bernardo porque só tinha R$ 30”

No Brasil, poderoso mesmo é quem tem o poder de matar, ou de mandar matar. Tanto que se mata gente no País como se matam baratas, sem maiores riscos de os assassinos serem descobertos ou mantidos encarcerados. Bandido mata trabalhador, mata policial, mata outros bandidos; policial mata bandido certo ou incerto bandido; bala perdida mata cidadão e cidadã, e por aí vai. Mata-se, mata-se, mata-se. Tudo naturalizado! Ironia: há quem tenha medo de ser morto, mas é a favor da matança (dos “outros”, é claro), confiante na sua condição social ou em carros blindados e casas com muros e parafernália eletrônica. Ilusão e preconceito!

O principal problema da matança entre nós é a equação montada pela sociedade brasileira ao longo da sua história: matar pode (os “outros”); roubar não pode (a nós). Assim, o bem “vida” (dependendo de quem seja a vida) tem muito menos valor do que o bem “dinheiro”. Acontece que, se todos podem matar sem maiores riscos de encarceramento, apenas alguns podem “roubar” sem esses riscos, do que são exemplos os recorrentes escândalos de corrupção envolvendo os “de cima”. Daí, o horror pontual ante esta ou aquela morte mais escabrosa, como no caso da dentista queimada viva, em nada altera a equação.

Solução: inverter a lógica, ou seja, colocar a vida (de ricos e de pobres) como o principal valor a ser perseguido pelo sistema de controle social, no qual se inclui o subsistema de Justiça Criminal, com realce para a polícia. Não se trata de aumentar as penas, panaceia em que a maioria acredita, se a lógica do sistema permanecer a mesma, e se as brechas oferecidas de propósito pela própria lei não forem fechadas.

Aí está o impasse, numa sociedade que se diz sem preconceitos e igualitária, mas que é exatamente o oposto disso.

 

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COTAS RACIAIS. DE NOVO?

16 de abril, 2013    

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Nova pesquisa, divulgada na semana finda pela revista ISTO É, confirma achados que outra, publicada na Folha de São Paulo em 23 de dezembro de 2012 (“Pioneira, Uerj vira ´Congo´ depois de implantar cotas”) já revelara: a implantação das cotas, 12 anos depois do primeiro programa na Uerj, não teria acarretado o que os seus opositores diziam.

A Folha se referia à primeira lei a instituir o programa de cotas no País (Lei Estadual nº 3.708/2001, do governo Garotinho). No levantamento do jornal, ingressaram em 2003 na Uerj 34% de cotistas e 66% de não cotistas; e concluíram os cursos 34% de cotistas e 22% de não cotistas. Evasão: 20% de cotistas e 43% de não cotistas.

Já o levantamento da ISTO É refere-se ao Brasil como um todo. Em matéria assinada por Amauri Segalla, Mariana Brugger e Rodrigo Cardoso, lê-se: “Por que as cotas raciais deram certo no Brasil”: “Política de inclusão de negros nas universidades melhorou a qualidade do ensino e reduziu os índices de evasão. Acima de tudo, está transformando a vida de milhares de brasileiros”.

Os autores falam em “mitos” e “verdades”.  A seu ver, os “mitos” foram demolidos. Mito 1: As cotas raciais comprometeriam o nível do ensino. E a “verdade”: o desempenho dos cotistas é parecido com o dos não contistas; em alguns casos, superior. // Mito 2: Os cotistas largariam a universidade no meio do caminho. E a “verdade”: no curso de medicina da Uerj, por exemplo, a evasão foi igual. // Mito 3: A pontuação dos candidatos cotistas no vestibular seria muito menor, e ficariam de fora candidatos com notas muito mais altas. E a “verdade”: as notas de corte têm sido muito próximas. // Mito 4: As cotas estimulariam o ódio racial. E a “verdade”: em pesquisa realizada em quatro universidades federais, 90% dos professores afirmaram o contrário.

Bem, pesquisas são pesquisas. Contra ou a favor, não há pesquisadores neutros. Os “mitos” e as “verdades” não correspondem, necessariamente, a racionalizações isentas. Cada um tem a sua verdade. Nos levantamentos mencionados, ficou faltando verificar se os que são contra ou a favor das cotas o são realmente pelas razões explicitadas ou por alguma razão de foro íntimo, inconfessável, alinhada à sua identidade social. Não se espere que alguém vá se convencer do que apontam essas ou aquelas pesquisas e mudar de posição. Não nos esqueçamos de que há interesses em jogo. Neste tema, interesses e razão não combinam. É luta política.

 

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ESCONDERIJO

1 de abril, 2013    

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Pelos comentários dos analistas políticos tem-se a impressão de que no no Rio de Janeiro só há dois pré-candidatos ao governo do Estado: Pezão e Lindbergh Farias. De repente, na última sexta feira, 29, lê-se na coluna do jornalista Ilimar Franco:

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“A largada do candidato de Cabral”

“Para aferir o efeito das inserções na TV do vice Luiz Fernando Pezão, o Instituto Ideia fechou uma pesquisa de 1.200 entrevistas, para o PMDB, na última terça-feira. O governador Sérgio Cabral está batendo o bumbo. O percentual de conhecimento de Pezão subiu 50%, em relação a de fevereiro, indo de 30% para 44%. Intenção de voto: Garotinho 23%, Lindbergh 17% e Pezão 16%. 

Obs. O grifo é meu (…)

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