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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em novembro, 2012

AP 470. EFEITOS DA CRIMINALIDADE “N√ÉO-CONVENCIONAL” SOBRE A “CONVENCIONAL”

26 de novembro, 2012    

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√Č conhecida dos estudiosos do crime e da viol√™ncia a forte rela√ß√£o que pode existir entre a criminalidade dita n√£o-convencional e a convencional. No caso do Brasil, em que os meios de comunica√ß√£o t√™m mostrado que aquela, desde sempre, tamb√©m √© praticada nas altas esferas do poder,¬†s√≥ n√£o v√™ quem n√£o quer: a √≠ntima rela√ß√£o entre crimes como os perpetrados pelos r√©us da AP 470 e crimes como os que ora aterrorizam a popula√ß√£o de cidades como S√£o Paulo, Florian√≥polis e v√°rias outras.

A propósito das falácias elitistas (advocacia em causa própria) de que só devem ir para a cadeia criminosos convencionais, transcrevo trecho de livro lançado em 2003, ipsis litteris:

‚Äú[…] Esta distin√ß√£o entre criminalidade convencional e criminalidade n√£o-convencional √© importante para que se possa, diante dos dados estat√≠sticos, determinar o n√≠vel de efic√°cia do sistema, aferindo-se a extens√£o das duas modalidades de crime e a sua rela√ß√£o com os criminosos presos. Uma caracter√≠stica fundamental da criminalidade n√£o-convencional √© que esta muitas vezes se confunde com a criminalidade oficial, conforme assinala Lopez-Rey. Para esse autor, os crimes n√£o-convencionais s√£o: os cometidos com finalidades econ√īmicas de grande envergadura; os praticados sob prote√ß√£o do manto oficial; os praticados por motiva√ß√Ķes pol√≠ticas, por grupos ou indiv√≠duos; os praticados por servi√ßos de intelig√™ncia com a aparente finalidade de seguran√ßa interna ou externa. Da√≠, por ‚Äúconven√ß√£o‚ÄĚ das elites do poder, a legisla√ß√£o penal vai tipificar determinadas condutas como crimes graves e atribuir-lhes penas duras, constituindo o que Juary C. Silva chama de microcriminalidade, em contraposi√ß√£o √† macrocriminalidade, a dos chamados crimes n√£o-convencionais, para os quais s√£o atribu√≠das penas brandas, √†s vezes uma simples multa.¬†Especialmente num pa√≠s como o Brasil, esta distin√ß√£o pode ter relev√Ęncia quando se cogita promover reformas legislativas. Em vez de os legisladores buscarem manter a legisla√ß√£o ajustada a padr√Ķes tradicionais, os novos tempos exigem que os mesmos busquem interpretar os sinais de inconformismo que v√™m da periferia, n√£o raro sob a forma de viol√™ncia. Muito se reclama da exist√™ncia do chamado poder paralelo do crime, mas o que se pode esperar quando o pr√≥prio sistema jur√≠dico parece ordenado como se estivesse regulando duas sociedades paralelas.‚ÄĚ ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†

Bem, existem mais de 500 mil presos nas cadeias brasileiras. Quantos corruptos, ativos e/ou passivos? Quantos ricos, ainda que autores de crimes convencionais? Ora, √© preciso n√£o descartar a hip√≥tese de que a viol√™ncia urbana no Brasil √© potencializada pela revolta ante a escandalosa e impune corrup√ß√£o dos poderosos,¬†com a ostenta√ß√£o da riqueza roubada, o que √© mostrado √† exaust√£o pela m√≠dia. √Äs vezes com o desvio de milh√Ķes e milh√Ķes at√© da sa√ļde do povo¬†at√© da sa√ļde do povo, levando pessoas pobres inclusive √† morte por falta de atendimento em arremedos de hospitais.

A afirma√ß√£o atribu√≠da ao ministro Dias Toffoli, de que os condenados na AP 470, em vez de irem para a cadeia, deveriam pagar os seus crimes com o ‚Äúvil metal‚ÄĚ (como se isso fosse problema para eles), soa como uma proposta, mal comparando, de indulg√™ncia. Ora, a fal√°cia est√° em que uma coisa n√£o exclui a outra.

 

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PRESOS. MISTURAR OU NÃO MISTURAR, EIS A QUESTÃO (I)

18 de novembro, 2012    

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‚ÄúAs Cad√™as ser√£o seguras, limpas e bem arejadas, havendo diversas casas para separa√ß√£o dos R√©os, conforme suas circunstancias, e natureza dos seus crimes‚ÄĚ. ¬†(Art. 179, inciso XXI, da Constitui√ß√£o do Imp√©rio do Brazil de 1824, outorgada por Dom Pedro I em pleno regime escravista)¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†¬†¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†¬†¬†

Dilema. Onde colocar os condenados a pris√£o na A√ß√£o Penal 470? Procede a d√ļvida. Afinal, salvo engano, em 123 anos de Rep√ļblica, jamais um pol√≠tico condenado pelo Supremo passou um dia sequer na pris√£o. Interessante notar que, esgotados os argumentos t√©cnicos, h√° quem se insurja contra a possibilidade de que ‚Äúdesiguais‚ÄĚ sejam igualados em pres√≠dios comuns, mesmo que a senten√ßa tenha transitado em julgado. Como se ainda estiv√©ssemos na monarquia.

Certa feita, em visita √† Academia do Sistema Prisional de Nova Iorque, tive dificuldade de explicar √† diretora o significado da express√£o ‚Äúpris√£o especial‚ÄĚ, pois, al√©m do fato de naquele pa√≠s n√£o haver semelhante instituto, em ingl√™s distingue-se entre prison (estabelecimento) e imprisonment (ato de prender ou estar preso), enquanto em portugu√™s a mesma palavra, pris√£o, √© comumente usada nos dois sentidos. Expliquei que a pris√£o especial n√£o era necessariamente uma edifica√ß√£o especial, e sim um direito atado a determinados cidad√£os em raz√£o de atributos pessoais, como possuir curso superior. Ela espantou-se e, em tom de brincadeira, exclamou: ‚ÄúEnt√£o quer dizer que l√°, se eu matar o meu marido n√£o vou para uma pris√£o comum!‚ÄĚ

Curioso que o tema da mistura de presos de circunst√Ęncia com presos comuns volta √† baila ao aproximar-se o final do julgamento. O ministro da Justi√ßa (sic) descobre que as pris√Ķes brasileiras s√£o ‚Äúmedievais‚ÄĚ; o ministro Dias Toffoli segue-lhe os passos. Exumam racionaliza√ß√Ķes h√° muito enterradas, no que s√£o acompanhados por n√£o poucas pessoas, sobretudo pol√≠ticos, juristas, advogados. Sem surpresas. S√≥ me surpreendi mesmo com a posi√ß√£o do Dr. Walter Maierovitch, cujos coment√°rios na r√°dio CBN costumam ser ponderados e t√©cnicos, em cr√≠tica √°cida ao ministro Joaquim Barbosa:

[…] ‚ÄúNos nossos pres√≠dios, c√° entre n√≥s, seria uma temeridade colocar um Dirceu ou mesmo um Val√©rio em cela coletiva sem seguran√ßa. Da mesma forma, os membros do Rural ficariam sob permanente risco de chantagens e les√Ķes. Agora, com a declara√ß√£o de Barbosa, Milton [Milton Jung], ele desconsidera o principio constitucional que garante aos presos a integridade f√≠sica e moral. Est√° na hora, Milton, do Barbosa falar s√≥ nos autos, e n√£o mais urbi et orbi, como fazem os papas.‚ÄĚ

U√©! E a integridade f√≠sica e moral dos presos ‚Äúconvencionais‚ÄĚ, em maioria p√©s-de-chinelo? Tenho a impress√£o de que, no fundo, o que tem falado mais alto √© o sentimento de classe (‚ÄúN√£o se sabe o dia de amanh√£!…‚ÄĚ). Posso estar delirando, mas vejo clara liga√ß√£o desse abismo social com a matan√ßa e os inc√™ndios em S√£o Paulo, Florian√≥polis e outras cidades, ordenados, dizem, por h√≥spedes das masmorras medievais rec√©m descobertas pelos ministros Cardoso e Toffoli. Ser√° que ningu√©m entende que esse modelo mon√°rquico-plutocr√°tico de (in)justi√ßa penal h√° muito exauriu-se, e que, 123 anos depois, √© preciso proclamar de fato a Rep√ļblica? Gente, n√£o d√° mais para manter a hierarquia social na base do porrete!

 

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‚ÄúN√ÉO EXISTEM MIL√ćCIAS NO ESTADO DE S√ÉO PAULO!‚ÄĚ

16 de novembro, 2012    

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Vem de longe a pendenga em torno da viol√™ncia urbana em S√£o Paulo e no Rio. Esta ou aquela cidade seria mais ou menos violenta por incont√°veis raz√Ķes, independentemente de n√ļmeros e fatos. Ora a diferen√ßa se explicaria pela configura√ß√£o geogr√°fica de ambas as cidades, ora pela disputa entre fac√ß√Ķes, o que seria um fato no Rio e n√£o em S√£o Paulo, onde o ‚Äúcomando do crime‚ÄĚ teria sido unificado; ora seria a diferen√ßa de atitude dos governantes na repress√£o ao crime, ora a diferen√ßa de qualidade e profissionalismo das pol√≠cias. Em suma, o que importava era que os n√≠veis de viol√™ncia da outra cidade fossem apresentados como piores.

De repente, em virtude da onda produzida pelas mortes em escala em S√£o Paulo, soa o alarme. Depois de os acontecimentos terem sido considerados pelas autoridades como casos isolados, o p√ļblico √© levado a acreditar que se trata de retalia√ß√£o do chamado PCC √† firme repress√£o da pol√≠cia. As mortes seriam o resultado de uma ‚Äúguerra‚ÄĚ entre integrantes do citado ‚Äúcomando‚ÄĚ e policiais, embora a maioria dos mortos n√£o seja da pol√≠cia.

Eis que se lê no jornal O Globo (10/11/2012), sob o título:

‚ÄúMil√≠cias agem em tr√°fico e roubo a caixas eletr√īnicos: Grupos de policiais atuam na periferia da capital paulista e em cidades da Grande SP‚Ä̬†

E no corpo da matéria:

“[…] Em S√£o Paulo, a hegemonia da fac√ß√£o criminosa que atua nos pres√≠dios do estado est√° sendo confrontada nas ruas. Uma mil√≠cia de policiais, inativos e ativos, passou a disputar o controle de ca√ßa-n√≠queis e jogo do bicho com a fac√ß√£o na capital paulista, al√©m de j√° ter conquistado pontos de venda de drogas na Baixada Santista. Al√©m da mil√≠cia, que teria sido organizada a partir de 2008, h√° v√°rios agrupamentos de policiais: matadores de aluguel, cobradores de propina de comerciantes em troca de seguran√ßa e envolvidos com roubos de caixas eletr√īnicos e de carga. Tamb√©m h√° os que agem por conta pr√≥pria, como justiceiros.

‚ÄĒ No fim das contas, os moradores da periferia convivem com dois tribunais do crime. De um lado, o dos bandidos, que matam os que desobedecem √†s suas regras e normas. De outro, o dos policiais, que decidem os criminosos ou suspeitos que devem morrer ‚ÄĒ afirma uma fonte, que n√£o pode ser identificada.

A Corregedoria da PM em SP foi procurada para informar o n√ļmero de PMs afastados ou punidos por crimes ligados a tr√°fico, jogos de azar/ca√ßa-n√≠queis e roubo a caixas eletr√īnicos. Foi pedida entrevista sobre investiga√ß√£o de homic√≠dios praticados por PMs. A assessoria da PM encaminhou a resposta por e-mail: ‚ÄúN√£o existem mil√≠cias no estado de S√£o Paulo.”¬†

Bem, ao que tudo indica, os problemas s√£o da mesma natureza em ambas as cidades. Se h√° mil√≠cias em S√£o Paulo (por que n√£o haveria?), √© razo√°vel concluir que, al√©m da a√ß√£o do “comando” contra policiais, h√° disputa entre mil√≠cias, com milicianos aterrorizando periferias para garantir o controle do territ√≥rio. A n√£o ser que a mat√©ria de O Globo seja pura fic√ß√£o…

√Č preciso, quando nada, que as autoridades de S√£o Paulo admitam a hip√≥tese, a fim de conceberem formas mais objetivas de resolver o problema na raiz. Como algu√©m j√° disse, a melhor maneira de N√ÉO resolver um problema √© neg√°-lo ou fingir que ele n√£o existe.

 

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NITER√ďI E SEUS PROBLEMAS DE SEGURAN√áA …

1 de novembro, 2012    

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(NOTA. Enviado por Wilton Soares Ribeiro, ex-comandante -geral da PMERJ)

  

NITER√ďI E OS PROBLEMAS DE SEGURAN√áA P√öBLICA. √Č bom trocarmos algumas id√©ias antes que seja tarde demais. A situa√ß√£o da Seguran√ßa P√ļblica em Niter√≥i.

I. INTRODUÇÃO

Em abril do corrente, em raz√£o de nova, mas nem por isso menos regular onda de criminalidade que assolou Niter√≥i, causando as mortes de v√°rios niteroienses inocentes, independentemente de idade, profiss√£o, grau educacional e classe social, este oficial registrou no blog do cel Jorge da Silva, na se√ß√£o coment√°rios, as seguintes opini√Ķes: Sinto que cada dia mais, n√≥s niteroienses estamos sendo tratados como d√©beis mentais, desequilibrados mentais, alienados mentais, etc, etc, etc.. (minha real apreens√£o √© que isso um dia seja provado e aprovado), sen√£o vejamos:

II. DESENVOLVIMENTO

Passados vários momentos de altos e baixos (mais baixos do que altos), a realidade do efetivo e as técnicas e estratégias policiais ostensivas que atenderam Niterói a partir principalmente de 1975, mostravam em 2006 o seguinte Quadro de Situação:

1. O 12¬ļ BPM andava com o seu efetivo em torno de 1200 homens (Em 2001 atingiu 1400 homens);

2. Havia o GETAM (Grupamento Especial de Policiamento Tático Móvel), os famosos boinas azuis que patrulhavam a Cidade 24 horas por dia, com efetivo de 120 homens, criado em 2001;

3. Havia o saudoso GPAE (Grupamento de Policiamento em √Āreas Especiais) /UPP, implantado em 2002 no Morro do Caval√£o, com sede em alvenaria e efetivo de 100 homens;

4. Havia o saudoso GEPAE/UPP, implantado em 2006 no Morro do Estado, com sede em alvenaria e efetivo de 100 homens;

5. Havia os saudosos N√ļcleos de Policiamento Comunit√°rio dos Bairros de S√£o Francisco, Santa Rosa, P√© Pequeno e Icara√≠, com efetivo em cerca de no m√≠nimo 30 homens (1 Pelot√£o), cada um, implantados em 2001. (30+30+30+30).

6. Havia o her√≥ico Canil do 12¬ļ BPM, com efetivo aproximado de 30 homens e c√£es, implantado na d√©cada de 70, desativado em 1994, reativado em 1995;

7. Havia a atividade meio do antigo CPI (Comando de Policiamento do Interior), depois CPA (Comando de Policiamento de √Ārea); da ESPM (Escola Superior de Policia Militar) e do LIF (Laborat√≥rio Industrial Farmac√™utico), que podemos estimar em no m√≠nimo 100 homens que usualmente apoiavam o policiamento ostensivo nas ruas de Niter√≥i, principalmente nos finais de semana, grandes eventos ou crises de aumento de criminalidade;

8. Havia o BPFMA (Batalh√£o de Policia Florestal e de Meio Ambiente), implantado em 1988, na divisa entre Niter√≥i e S√£o Gon√ßalo, que embora com miss√£o espec√≠fica em todo Estado, usualmente cedia sua atividade meio, cerca de 50 homens em um efetivo de 400 homens, em apoio ao policiamento normal em Niter√≥i em situa√ß√Ķes extraordin√°rias, em Opera√ß√Ķes em momentos de crises. Isso al√©m de sua capacidade dissuas√≥ria contra o crime pela sua simples presen√ßa em garboso aquartelamento, a beira da Rodovia Amaral Peixoto;

9. Havia uma Cia Destacada, com sede de alvenaria, com efetivo de 90 homens, implantada em 2006 na localidade de Lagoinha, na base do Morro de mesmo nome, na localidade do Caramujo;

10. Foram implantadas e cobertas com Policiais Militares mais de 15 Cabines de Policiamento, nos Bairros de Santa Rosa, Icaraí, Fonseca, Barreto, Ingá, Centro e São Francisco.

Os registros acima nos reconduzem a um efetivo alocado até o ano de 2006 para policiar os municípios de Niterói e Marica, na ordem de: 1200+120+100+100+30+30+30+30+30+100+50+90 = 1910 Policiais Militares

O quadro de Abril de 2012, com o medo visitando as casas e as ruas dos niteroienses e a sensação de abandono na área da Segurança de Município, apresentava o seguinte desenho:

1. O 12¬ļ teve seu efetivo reduzido para 800 homens (o Batalh√£o ficou seis anos sem receber refor√ßo);

2. O GETAM foi desativado e seu efetivo enviado para o Rio de Janeiro;

3. O GEPAE do Morro do Cavalão foi desativado, voltando à condição de DPO, com 3 homens por dia  (3 + 3 + 3 = 9)

4. O GEPAE do Morro do Estado foi desativado, voltando à condição de DPO, com 3 homens por dia  (3 + 3 + 3 = 9)

5. Os N√ļcleos de Policiamento Comunit√°rio foram desativados;

6. O Canil do 12¬ļ BPM foi desativado;

7. A atividade meio do antigo CPI e CPA foi transferida para o Rio de Janeiro para ocupar a Cidade de Deus; a ESPM foi vendida, o LIF foi desativado;

8. O BPFMA foi totalmente descaracterizado como Departamento Militar, sua sede desativada e transferida juntamente com seu efetivo para o Rio de Janeiro;

9. A Cia Destacada da Lagoinha foi, na verdade, transformada em DPO, talvez reforçada a 5 homens por dia (5 x 3 = 15;

10. As cabines de policiamento, pela 1ª vez na história da Policia Militar, foram abandonadas, desocupadas, largadas, despoliciadas, enferrujadas, e tudo ficou por isso mesmo, dia após dia, meses após meses, anos após anos;

 

Apurando-se o efetivo Policial Militar em abril do corrente, depara-se com o aterrador quadro:

1. 12¬ļ BPM- 800 homens;

2. ‚ÄúDPO‚ÄĚ ex GEPAE do Caval√£o – 9 homens;

3. ‚ÄúDPO‚ÄĚ ex GEPAE do Morro do Estado – 9 homens;

4. ‚ÄúDPO‚ÄĚ ex Cia Dest da Lagoinha – 15 homens;

5. Portanto, 800 + 9 + 9 + 15 = 833 homens;

 

Com o advento da ocupa√ß√£o de algumas √°reas cr√≠ticas no Munic√≠pio do Rio de Janeiro, algumas inclusive j√° estavam h√° anos ocupadas pelos GPAES (os antecessores das UPPs) sem que os criminosos fossem presos na forma da lei, em raz√£o da teoria do deslocamento da mancha criminal, numerosas hordas de criminosos violentos passaram a se homiziar e operar nas √°reas lim√≠trofes. Da√≠, Niter√≥i, S√£o Gon√ßalo, Itabora√≠, Maric√°, Zona Norte e Zona Oeste do Rio e Baixada Fluminense sofreram o fen√īmeno do transbordamento criminal, que passou a matar, roubar, roubar para matar, arrombar, traficar, sequestrar, como nunca antes t√≠nhamos visto nessas √°reas.

A verdade √© que a despropor√ß√£o entre os criminosos e os agentes da lei passou, em um desequil√≠brio cada vez mais crescente, a ser o principal fator de massacre consentido da popula√ß√£o da antes pacata Niter√≥i. Pois os n√ļmeros est√£o a nos mostrar suas v√≠sceras sanguinolentas dos inocentes mortos, uma vez que de 2007 at√© 2012, o Policiamento de Niter√≥i havia perdido, de forma irrespons√°vel, 1077 homens (1910 ‚Äď 833).

Esse √© o n√ļmero de policiais que, de 2007 at√© os nossos dias, deixaram de proteger nossos filhos, netos, mulheres, idosos, vizinhos, amigos, visitantes. Isso sem colocarmos em pauta o aumento da popula√ß√£o que, em 1975, andava em 300.000; em 2001, 400.000, e nos nossos dias quase ou mais de 500.000 mil niteroienses a necessitarem o m√≠nimo de prote√ß√£o. Tudo sem contar S√£o Gon√ßalo, munic√≠pio com quase um milh√£o e 200 mil habitantes.

Na virada de Abril para Maio do corrente, merc√™ de alguma, diria, at√© d√≥cil demonstra√ß√£o de indigna√ß√£o levada √†s ruas e jornais pela apavorada popula√ß√£o clamando por seguran√ßa, alguns O C S anunciaram que um grande refor√ßo estava sendo objeto de planejamento atrav√©s dos respons√°veis pela Seguran√ßa P√ļblica.

Alguns dias ap√≥s foi tornado p√ļblico o grande refor√ßo policial que viria para Niter√≥i em car√°ter imediato, que registramos abaixo:

1, 200 homens para compor o efetivo do 12¬ļ BPM,

2. 100 homens para compor uma Cia Destacada no Morro do Caval√£o;

3. 100 homens para compor uma Cia Destacada no Morro do Estado,

4. Rondas diuturnas a serem realizadas pela Cia de Motocicletas do Batalh√£o de Choque do Rio de Janeiro;

5. Rondas Ostensivas em Comboios, a serem realizadas pelo BPChq e BOPE, ambos do Rio de Janeiro;

6. Esquadr√£o de 30 Homens e Cavalos para patrulharem diuturnamente a Regi√£o Oce√Ęnica.

7. Aplica√ß√£o do recurso do refor√ßo de policiamento atrav√©s dos PM de folga, em raz√£o de nova legisla√ß√£o que permitia o ‚Äúbico oficial‚ÄĚ atrav√©s de pagamento (projetos conhecidos como PROEIS e RAS, os homens de bra√ßadeiras vermelhas). Uma boa medida, mas que tem vantagens e desvantagens, assim como n√£o √© uma panaceia para todos os males da Seguran√ßa P√ļblica.

 

III CONCLUSÃO

Em outubro agora, nos deparamos com o quadro abaixo:

1. Os 200 homens que vieram como reforço em abril, há muito já deixaram a terra de Ararigbóia, em direção ao sortudo Bairro do Leblon para comporem UPP,

2. Os 100 homens da ‚ÄúCia Destacada‚ÄĚ do Morro do Caval√£o nunca existiram, continuando l√° o DPO ex GPAE (que j√° teve 100 homens), com 3 homens por dia;

3. Os 100 homens da ‚ÄúCia Destacada‚ÄĚ do Morro do Estado nunca l√° compareceram, continuando l√° o DPO, ex GPAE (que j√° teve 100 homens), com 3 homens por dia;

4. A Cia de Moto Patrulhamento, após alguns bordejos pela Cidade, seus integrantes nunca mais foram vistos, nem individualmente nem em dupla;

5. O esquadrão da Cavalaria, logo no inicio teve seu plantel acometido de gripe equina e desapareceu rumo à longínqua Campo Grande, sua Sede.

6. Os comboios do BPCHq e BOPE est√£o sendo chamados pela popula√ß√£o de ‚ÄúPoliciamento Concei√ß√£o‚ÄĚ. Se patrulhou, ningu√©m sabe ningu√©m viu…
7. Os ‚Äúbra√ßadeiras vermelhas‚ÄĚ t√™m sido o fato novo. O verdadeiro ovo de colombo, s√≥ n√£o podemos esquecer que s√£o policiais trabalhando nas folgas (com todas as suas vantagens e desvantagens).

E assim, na virada de outubro para novembro, os niteroienses est√£o a ver seus filhos sendo assaltados e alguns mortos, vendo donas de casa sendo estupradas dentro de suas casas ap√≥s serem roubadas, vereador sendo morto a rajadas de balas em frente a sua casa; desembargador sendo metralhado ao buscar seus netos em escola tradicional, sequestros rel√Ęmpagos, mulheres e homens baleados √† porta de bancos, fam√≠lias sendo feitas ref√©ns ap√≥s terem tido suas casas arrombadas, hordas consumindo crack a qq hora principalmente nos bairros de Icara√≠ e Centro, traficantes exercendo sua mercancia da morte √† luz do dia, terror, terror, terror (de muitos), indigna√ß√£o, indigna√ß√£o, indigna√ß√£o (de poucos), mentiras, sofismas, mentiras (de alguns).

E assim, a sociedade niteroiense, cada vez mais dócil, dócil, dócil. Portanto, a aparência, como as coisas estão caminhando, é que não há solução, o que não quer dizer que se deva parar de lutar, isso nunca. Ousar lutar, ousar vencer. Mas, é importante trazer à baila alguns finais considerandos, para que encerremos esse pequeno ensaio sobre Niterói, Crime, Segurança e Policia.

O 12¬ļ BPM est√° lutando como um le√£o; ali√°s, al√©m do Batismo de Ararigb√≥ia, o batalh√£o teve tamb√©m a seu tempo o apelido de Batalh√£o do Le√£o, mesmo com oitocentos e poucos homens, quando deveria ter no m√≠nimo dois mil. √Č uma covardia institucional o que se vem fazendo com essa Unidade.

Nunca se viu tanta certeza da impunidade, aus√™ncia de zelo com a responsabilidade p√ļblica e falta total de cobran√ßa dos mecanismos republicanos, a tentar reparar, amenizar que seja, a discrimina√ß√£o que a popula√ß√£o de Niter√≥i est√° sofrendo. Ao mesmo tempo nunca se viu tanta docilidade, subservi√™ncia, submiss√£o, conformismo, acomoda√ß√£o e esp√≠rito de colonizado da sociedade niteroiense, sociedade essa que j√° escreveu milhares de p√°ginas hist√≥ricas na forma√ß√£o da Na√ß√£o Brasileira.

O QUE EST√Ā ACONTECENDO COM A SOCIEDADE NITEROIENSE???…

 

Niterói, 28 de Outubro de 2012

Cel PM WILTON SOARES RIBEIRO

 

 

 

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