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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em junho, 2012

(Cont… ) ‚ÄúDIRETAS-J√Ā NO PODER JUDICI√ĀRIO‚ÄĚ (II)

29 de junho, 2012    

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PARA ABRIR A ‚ÄúCAIXA-PRETA‚ÄĚ

 

Paradoxo. Guardi√Ķes da lei resistem em cumprir a lei.

Lê-se em O Globo (28 / 06): 

‚ÄúCorregedora defende divulga√ß√£o ‚Äėimediata‚Äô de sal√°rio de magistrados‚ÄĚ ¬†¬†

“A corregedora-nacional de Justi√ßa, ministra Eliana Calmon, defendeu nesta quinta-feira (28) a divulga√ß√£o ‚Äúimediata‚ÄĚ dos sal√°rios de magistrados, inclusive as gratifica√ß√Ķes, as quais chamou de ‚Äúpenduricalhos‚ÄĚ.

A ministra se refere √† resist√™ncia de amplos setores do Judici√°rio em cumprir o que determina a Lei de Acesso √† Informa√ß√£o (Lei n¬ļ 12.527/2011), diferentemente do que acaba de fazer o Executivo federal ao divulgar, nominalmente, os ganhos (vencimentos, gratifica√ß√Ķes, jet√Ķes etc.) dos seus servidores, inclusive os da presidente da Rep√ļblica, ministros e altos funcion√°rios.

Talvez não fosse preciso chegar a tanto. Bastava que se pudesse obter resposta para algumas perguntas simples, menos polêmicas, como sugerido em postagem de 15 de agosto de 2009 (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=326 ), da qual transcrevo pequeno trecho:   

‚ÄúOra, por que n√£o podemos saber quanto ganha, em m√©dia, um trabalhador brasileiro? Pergunto: quanto ganha um professor ou professora do ensino b√°sico da rede p√ļblica? E do ensino universit√°rio? E um m√©dico? E um atendente de sa√ļde? Quanto ganha um motorista de √īnibus? E um motorista do Congresso, da Assembl√©ia Legislativa ou do Tribunal de Contas? Quanto ganha um procurador, ou um desembargador, juiz ou promotor? E um cont√≠nuo do Tribunal de Justi√ßa ou do Congresso? Ou da C√Ęmara de Vereadores? E um oficial de justi√ßa? E um delegado da Pol√≠cia Federal? E da Pol√≠cia Civil? E um oficial das For√ßas Armadas? E um general? E um soldado ou coronel PM? E um detetive? E um t√©cnico da √°rea da educa√ß√£o ou da sa√ļde? E do Congresso Nacional ou do Tribunal de Justi√ßa?‚ÄĚ

Essas informa√ß√Ķes devem ser p√ļblicas. Quero saber, por exemplo, se √© verdade, como dizem, que um motorista do Senado ganha mais do que um piloto de ca√ßa da FAB. Ou se h√° funcion√°rios t√©cnicos ganhando mais do que um ministro do STF. E isto s√≥ ser√° poss√≠vel se o Legislativo tamb√©m deixar de resistir.

Voltando ao Judici√°rio, reitero que as elei√ß√Ķes diretas (com a participa√ß√£o, al√©m dos desembargadores, de todos os ju√≠zes, como explicado na postagem anterior, abaixo), √© medida que, com toda certeza, ajudar√° a retirar a opacidade da Justi√ßa estadual. Fatos como o dos “atrasadinhos” de R$ 600 mil do TJ-SP ou o dos¬†R$ 100 mil do TJ-RJ n√£o aconteceriam.

Em tempo: N√£o podemos nos esquecer dos estados e dos munic√≠pios (Executivo, Legislativo e Judici√°rio). S√£o muitas as ‚Äúcaixas-pretas‚ÄĚ a abrir…

 

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‚ÄúDIRETAS-J√Ā NO PODER JUDICI√ĀRIO‚ÄĚ

24 de junho, 2012    

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PARA ABRIR A ‚ÄúCAIXA-PRETA‚ÄĚ

Coincid√™ncia. O jornal O Globo (domingo, 24/06) traz em chamada de primeira p√°gina:¬†‚ÄúTJ do Rio pagou a ju√≠zes mais de R$ 100 mil /¬†Levantamento do Globo mostra que tribunais de Justi√ßa de todo o pa√≠s resistem a divulgar, apesar da Lei de Acesso √† Informa√ß√£o, valores recebidos mensalmente por desembargadores. No Rio, num √ļnico m√™s, foram feitos 23 pagamentos entre R$ 106 e R$ 126 mil.‚ÄĚ ¬† ¬†¬†

Dois dias antes, 22 de junho, no mesmo jornal (coluna de Ilimar Franco), lia-se: 

‚ÄúDiretas j√°‚ÄĚ

‚ÄúA Associa√ß√£o dos Magistrados Brasileiros deflagrou campanha pelas elei√ß√Ķes diretas para escolher os presidentes dos Tribunais Estaduais e Regionais Federais. Os eleitores: os ju√≠zes de primeira inst√Ęncia e os desembargadores‚ÄĚ.

Era alus√£o √† campanha ‚ÄúDiretas-J√° no Poder Judici√°rio‚ÄĚ, lan√ßada pela AMB em Cuiab√°, e que tem por objetivo a aprova√ß√£o no Congresso de uma PEC que disp√Ķe sobre a participa√ß√£o dos ju√≠zes de 1¬ļ grau na escolha dos dirigentes desses tribunais.

Bem, essas duas mat√©rias n√£o est√£o associadas pelo jornal. Eu √© que as associo, pois n√£o √© s√≥ o problema da ‚Äúcaixa-preta‚ÄĚ salarial que precisa ser resolvido; h√° outros piores, lamentavelmente. N√£o √© razo√°vel, portanto, que o col√©gio de votantes seja constitu√≠do apenas pelos colegas desembargadores. Pior: que s√≥ um n√ļmero √≠nfimo dentre os mais antigos esteja habilitado a candidatar-se.

Independentemente do maior controle e transpar√™ncia do Judici√°rio, verificados ap√≥s a cria√ß√£o do Conselho Nacional de Justi√ßa (CNJ) em 2004, n√£o √© desarrazoado o pleito da AMB. Imp√Ķe-se realmente a necessidade de democratizar um pouco mais o Judici√°rio, para o que a amplia√ß√£o do col√©gio eleitoral para a escolha do chefe desse Poder nos estados √© medida a ser considerada. Em realidade, o presidente do Tribunal de Justi√ßa n√£o atua apenas como juiz, na superintend√™ncia das atividades jurisdicionais, mas igualmente das atividades administrativas, inclu√≠da a gest√£o or√ßament√°ria e financeira.

√Č muito pouco, portanto, que o chefe de um Poder t√£o fundamental √† vida dos cidad√£os brasileiros seja escolhido por um col√©gio eleitoral restrito aos pares desembargadores (neste ponto diferentemente, por exemplo, do que ocorre com o Minist√©rio P√ļblico, cujo procurador-geral √© eleito por todos os procuradores e promotores). No modelo de escolha atual, n√£o h√° necessidade, por exemplo, de que os candidatos assumam qualquer compromisso expl√≠cito com a popula√ß√£o em geral (nem mesmo com a pr√≥pria comunidade interna do Judici√°rio). Assim, se, por acaso, um desembargador-candidato √© contra as penas alternativas e a favor da manuten√ß√£o de privil√©gios penais; se acha que n√£o se devem preencher as vagas de ju√≠zes porque entende que os milhares de candidatos que se apresentam s√£o ‚Äúdespreparados‚ÄĚ (diferentemente dos que j√° ingressaram…); se n√£o v√™ nada demais em contratar parentes; se √© cr√≠tico do j√ļri popular, que explicite isso pelo menos a um col√©gio um pouco mais ampliado, no qual se incluam todos os ju√≠zes do Estado.

Em suma, o modelo vigente pode explicar boa parte dos recorrentes desvios divulgados pela mídia. Daí, para benefício do Judiciário e dos próprios magistrados (e principalmente da população), a AMB, presidida por um desembargador, deve ser apoiada.

 

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TRAFICANTES NA LUTA CONTRA O CRACK

20 de junho, 2012    

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A coluna do Ancelmo Gois de ontem (O Globo, 19/06) publicou a foto de um cartaz que traficantes de drogas espalharam nas ‚Äúcomunidades‚ÄĚ do Jacarezinho, Mandela e Manguinhos, na Zona Norte da cidade, locais onde se situam conhecidas e grandes ‚Äúcracol√Ęndias‚ÄĚ. (ver foto abaixo).

A foto circulou e circula em outros meios, e o assunto vem sendo comentado amplamente.  Em geral, os comentários vão na direção de que os traficantes decidiram fazer isso temendo que as autoridades usem a Força Nacional de Segurança (que já ocupa o Morro Santo Amaro, no Catete), para também ocupar o seu reduto, o que prejudicaria os negócios em torno de outros produtos, em especial a cocaína e a maconha.

Algo que ainda n√£o vi comentado tem a ver com os destinat√°rios do aviso. S√≥ algu√©m muito ing√™nuo para acreditar que o aviso se destina aos ‚Äúcrackeiros‚ÄĚ. √Č, na verdade, uma clara mensagem √†s autoridades. N√£o nos esque√ßamos de que o Governo Federal resolveu desencadear verdadeira cruzada nacional contra o crack. Lan√ßou o ‚ÄúPlano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas‚ÄĚ, e anunciou um investimento de 4 bilh√Ķes de reais para a√ß√Ķes nas ¬†√°reas da recupera√ß√£o, da repress√£o e da preven√ß√£o.

Mais que tudo, o que importa mesmo é analisar o subtexto da mensagem e do gesto. Pergunte-se: A mensagem faz sentido? Corresponde a algum contexto? Por que os traficantes resolveram fazer o que fizeram?

No fundo, independentemente de outros prop√≥sitos, √© como se os traficantes dissessem: ‚ÄúSomos solid√°rios; prometemos n√£o mais vender crack!‚ÄĚ

Esta foto √© emblem√°tica. Traz consigo incont√°veis discursos, e possibilidade de m√ļltiplas interpreta√ß√Ķes. A partir dela √© poss√≠vel penetrar no √Ęmago da nossa sociedade. E indagar sobre aspectos sociol√≥gicos da quest√£o das drogas das quais costumamos fugir.

 

A polêmica foto publicada na coluna do Ancelmo Gois.

 

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(Cont …) VENDA DO QG DA PMERJ (V)

14 de junho, 2012    

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A FAL√ĀCIA DO ‚ÄúOLHA O AVI√ÉO‚ÄĚ

Em manchete do jornal¬†O Globo¬†de hoje, 14/06, l√™-se: ‚ÄúMuito al√©m do QG‚ÄĚ.

Certamente, o t√≠tulo alude √† pol√™mica suscitada pelo an√ļncio da inten√ß√£o do governo do Estado de vender o QG da PMERJ para a Petrobr√°s. No interior da mat√©ria, a not√≠cia de que o governo pretende vender 27 im√≥veis.

Faz meses, no entanto, como mencionado nas postagens abaixo, que a venda do QG da PM foi anunciada, sob a alega√ß√£o de que o conceito de aquartelamento seria inadequado √† fun√ß√£o da PM (‚Äúpol√≠cia ostensiva e de preserva√ß√£o da ordem p√ļblica‚ÄĚ); depois, talvez em raz√£o da dificuldade de sustentar o argumento ‚Äď os QGs das pol√≠cias de Nova Iorque e Paris, por exemplo, s√£o quart√©is maiores do que o QG da PMERJ ‚Äď, alegou-se que a manuten√ß√£o do velho pr√©dio era muito dispendiosa; agora, segundo a mat√©ria acima referida, a motiva√ß√£o para a venda, n√£o s√≥ do QG como de outros 26 im√≥veis, inclui-se no declarado prop√≥sito de ‚Äúcortar gastos com espa√ßos mal aproveitados‚ÄĚ. Nessa rubrica, foram listadas √°reas do Estado utilizadas como ‚Äúrestaurante, igreja, estacionamento e at√© entidades de classe‚ÄĚ.

N√£o h√° como discordar de que propriedades do Estado sejam utilizadas dessa forma, ou que estejam abandonadas, como muitas est√£o. No entanto, como diz o esp√≠rito popular, uma coisa √© uma coisa, outra coisa √© outra coisa. Ora, o que tem a ver um im√≥vel p√ļblico usado como estacionamento ou restaurante com um edif√≠cio que abriga o hist√≥rico QG da Pol√≠cia Militar do Estado? Ou com outras instala√ß√Ķes policiais, da PM e da PC, citadas como tamb√©m estando √† venda?

No mundo inteiro, a seguran√ßa p√ļblica √© setor dos mais onerosos. E as complexidades da sociedade contempor√Ęnea est√£o a exigir a aloca√ß√£o cada vez maior de recursos em pessoal, instala√ß√Ķes, atualiza√ß√£o tecnol√≥gica etc. N√£o se v√° imaginar, por exemplo, o governo franc√™s, para economizar, vendendo o hist√≥rico QG da pol√≠cia parisiense, no cora√ß√£o da Cidade da Luz, nem os quart√©is das unidades de preserva√ß√£o da ordem, das for√ßas de choque e de opera√ß√Ķes especiais; ou Nova Iorque vendendo o headquarters do NYPD, no cora√ß√£o de Manhattan.

Incluir na discuss√£o da venda do QG da PMERJ a venda de estacionamentos, igrejas e restaurantes em terreno do Estado constitui exemplo acabado da chamada fal√°cia do “olha o avi√£o‚ÄĚ, usada para desviar o foco do assunto principal. Por que o jornal faz isso?…

 

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O ARSENAL DO EMPRES√ĀRIO MORTO E O ESTATUTO DO DESARMAMENTO

12 de junho, 2012    

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A grande quantidade de armas encontrada na casa do empres√°rio morto e esquartejado pela mulher em S√£o Paulo surpreendeu muita gente, inclusive pessoas que apoiam o livre com√©rcio de armas. Faz sentido. Uma coisa √© a defesa do direito de um cidad√£o adquirir uma arma de fogo para proteger a si e sua fam√≠lia. Outra √© o direito de esse mesmo cidad√£o possuir um verdadeiro arsenal, como no caso do desventurado empres√°rio. Conforme mostrou o programa Fant√°stico da TV Globo deste domingo, 10 de junho, o empres√°rio, cidad√£o id√īneo como exigem as normas, possu√≠a mais de 30 armas em casa, entre pistolas, fuzis, uma submetralhadora e mais de 40 kg de muni√ß√£o, tudo legalizado.

As diferen√ßas entre defensores e opositores do desarmamento j√° duram d√©cadas. Mas sempre reduzidas √† polariza√ß√£o ‚Äúcontra‚ÄĚ / ‚Äúa favor‚ÄĚ. Ora, a ess√™ncia do problema n√£o est√° a√≠, aspecto da quest√£o para o qual nem mesmo os defensores do desarmamento parecem ter atinado.¬†N√£o √© de hoje que me preocupo com esse problema, como em livro que lancei h√° 22 anos. (Cf.¬†Controle da criminalidade e seguran√ßa p√ļblica. Forense, 2¬™ ed. 1990, p.73):

‚ÄúN√£o √© poss√≠vel que a legisla√ß√£o autorize qualquer cidad√£o comum a possuir at√© seis (sic) armas de fogo. E que possa adquirir, no per√≠odo de um ano, at√© tr√™s armas diferentes (uma de porte, uma de ca√ßa de alma raiada e uma arma de ca√ßa de alma lisa). Tudo isso sem falar na venda regular de muni√ß√Ķes e nas concess√Ķes adicionais abertas a ca√ßadores, atiradores e colecionadores.‚ÄĚ

Isso em 1990. E n√£o mudou at√© hoje, nem com o Estatuto do Desarmamento, promulgado depois de anos de discuss√£o (Lei 10.826/2003). Como explicar, ent√£o, que esse aspecto da quest√£o tenha permanecido intocado, oculto? E igualmente depois, durante as acirradas discuss√Ķes que precederam o Referendo do Desarmamento de 2005? Nenhuma refer√™ncia √† quantidade permitida de armas e muni√ß√£o. Curiosa a pergunta do referendo: “O com√©rcio de armas de fogo e muni√ß√£o deve ser proibido no Brasil?” E as op√ß√Ķes: ‚ÄúSim‚ÄĚ ou ‚ÄúN√£o‚ÄĚ. Como se sabe, o ‚ÄúN√£o‚ÄĚ venceu por ampla margem (64%).

Espanto-me agora com o espanto (sic) exibido pelas pessoas, sobretudo por jornalistas, ao verem o arsenal acima referido. Será que não sabiam que isso sempre foi permitido? Por que a mídia jamais trouxe esse ponto à baila?

Mist√©rio. Durante todos esses anos, o assunto passou em branco. Bastava fazer uma simples pergunta: ‚ÄúQuantas armas de fogo um brasileiro id√īneo pode adquirir e possuir?” Fiz-me essa pergunta h√° 22 anos. A resposta n√£o aparecia na legisla√ß√£o ordin√°ria, e sim em normatiza√ß√£o administrativa, em portaria do Ex√©rcito. √Č assim ainda hoje. Boa parte dos defensores do com√©rcio de armas sabe disso, mas prefere desviar o foco para a discuss√£o do j√° discutido.

Repita-se: uma coisa √© a defesa do direito de adquirir arma de fogo. Outra √© o direito de um √ļnico cidad√£o, por mais id√īneo que seja, adquirir tantas armas e tanta muni√ß√£o. Seja na lei, seja na normativa administrativa, h√° que impor mais limites, pelo menos √† quantidade. Bem, a¬†quem interessa que n√£o seja assim?

 

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(Cont…) VENDA DO QG DA PMERJ (IV). EQU√ćVOCOS E ALTERNATIVAS

9 de junho, 2012    

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O imbr√≥glio da venda do QG da PMERJ com base na ideia de que o conceito de aquartelamento seria inadequado √†s atividades de ‚Äúpol√≠cia ostensiva e de preserva√ß√£o da ordem p√ļblica‚ÄĚ (miss√£o das PPMM) suscitou o ressurgimento da discuss√£o sobre o modelo policial brasileiro. A discuss√£o √© salutar, mas √© preciso estabelecer os limites entre a opini√£o descompromissada do cidad√£o, v√°lida e importante, e o argumento decorrente de estudo ou an√°lise aprofundada do tema.

Ouve-se falar livremente em unifica√ß√£o, extin√ß√£o, fus√£o, federaliza√ß√£o, municipaliza√ß√£o, e por a√≠ vai. Dia desses, uma √Ęncora de importante emissora de r√°dio deitou c√°tedra, criticando o fato de a seguran√ßa p√ļblica no Brasil ser estadual, mais ou menos nos seguintes termos: ‚ÄúNo mundo inteiro a seguran√ßa √© assunto da prefeitura‚ÄĚ. Quanta desinibi√ß√£o! H√° quem pense assim tendo em mente os distritos policiais de Paris ou Nova Iorque (mais ou menos equivalentes √†s nossas delegacias de pol√≠cia), mas sem conhecer as unidades de choque, interven√ß√£o e de opera√ß√Ķes especiais dessas pol√≠cias. No caso da Fran√ßa, por exemplo, sem conhecer o enorme QG da Pol√≠cia de Paris, no cora√ß√£o da Cidade, e os grandes aquartelamentos das Companhias de Interven√ß√£o, e os das famosas Compagnies R√©publicaines de S√©curit√© – CRS, e os da Gendarmerie M√≥bile.

√Č comum tamb√©m ouvir-se que em nenhum pa√≠s do mundo a pol√≠cia tem organiza√ß√£o militar. Ora, ao contr√°rio, todas se organizam segundo o modelo militar, o que n√£o significa dizer que todas sejam treinadas e empregadas como ex√©rcito, o que √© outra quest√£o.

Já presenciei um colega defender a municipalização com base no que ele imaginava ser o modelo francês. Afirmou de forma categórica que em Paris a polícia é de responsabilidade do prefeito. Confundiu-se. A palavra préfecture, da expressão Préfecture de Police, não se refere à Prefeitura de Paris, e sim à autoridade máxima da polícia de Paris e entorno, ao Préfect de Police, ligado ao poder central (a França, como se sabe, é um país unitário). Tratei desse e de outros equívocos três postagens abaixo.

Outro dado. As pessoas parecem esquecer-se da PC; de que o sistema policial dos estados √© constitu√≠do de duas pol√≠cias, com fun√ß√Ķes diferentes. A miss√£o da PC √© a ‚Äúpol√≠cia judici√°ria e a apura√ß√£o das infra√ß√Ķes penais‚ÄĚ. Portanto, como reestruturar uma pol√≠cia sem pensar na outra? Al√©m disso, conv√©m n√£o esquecer de que, como manda a Constitui√ß√£o da Rep√ļblica, as for√ßas de interven√ß√£o, de choque e de opera√ß√Ķes especiais no Brasil s√£o de responsabilidade das PPMM, o que implica que essas corpora√ß√Ķes tenham que ser estruturadas para tal.

Assim que, antes de demolir o QG da PM e de outros quart√©is, seria fundamental n√£o perder de vista os mandamentos constitucionais para o sistema como um todo. Da√≠, interessante que se pensasse nas alternativas ao modelo PM / PC atual. √Č a proposta de estudo que fa√ßo no artigo POL√ćCIA CIVIL / POL√ćCIA MILITAR. ALTERNATIVAS. Se interessar, √© s√≥ clicar no link abaixo:

http://www.jorgedasilva.com.br/artigo/48/policia-civil-/-policia-militar.-alternativas/

 

 

 

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VENDA DO QG DA PMERJ (III). ORDEM DE DESPEJO?

4 de junho, 2012    

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A Pol√≠cia Militar est√° procurando um local para abrigar provisoriamente o Comando e os √≥rg√£os de Dire√ß√£o Geral e de Estado Maior. Provisoriamente por pelo menos dois anos, a contar do in√≠cio das obras do futuro QG, que se cogita construir na √°rea do atual Regimento Marechal Caetano de Farias (onde se situa o BPChoque, no Est√°cio), cujas edifica√ß√Ķes atuais, com exce√ß√£o da fachada, seriam demolidas. Isto se o atual QG da Corpora√ß√£o, na Rua Evaristo da Veiga, no Centro, for efetivamente vendido √† Petrobr√°s, como anunciou o governo do Estado. A complica√ß√£o decorre do fato de a empresa ter imposto como condi√ß√£o para fechar o neg√≥cio que o pr√©dio esteja desocupado e demolido antes, o que o governo se compromete a fazer em 30 dias, como mencionado nas duas postagens anteriores, abaixo.

Ter que sair do atual QG de forma t√£o repentina n√£o estava nas cogita√ß√Ķes do alto comando da PM, que contava mudar-se somente quando o novo QG estivesse pronto. Despropositada a condi√ß√£o imposta pela Petrobr√°s. Razo√°vel seria que, ao contr√°rio, o governo condicionasse a desocupa√ß√£o do pr√©dio, mesmo formalizada a venda, √† transfer√™ncia do Comando e da Administra√ß√£o da PM para o futuro QG num prazo determinado. √Č sempre assim nas transa√ß√Ķes imobili√°rias.

Não me aferro aos aspectos histórico-culturais ligados ao vetusto prédio, embora entenda que esses aspectos não estão sendo levados em conta. Preferia que o atual QG fosse reformado e modernizado com recursos orçamentários, mas parece que a sorte está lançada.

Meu ponto √© outro. Tem a ver com a localiza√ß√£o estrat√©gica do QG, a menos de 100 metros da Cinel√Ęndia, palco preferido para manifesta√ß√Ķes coletivas, inclusive de n√≠vel nacional, algumas das quais j√° descambaram para perturba√ß√Ķes violentas da ordem, exigindo a pronta interven√ß√£o da Pol√≠cia Militar, institui√ß√£o incumbida constitucionalmente da preserva√ß√£o da ordem p√ļblica em sentido estrito. Mais: por que o a√ßodamento em quest√£o t√£o delicada? Ningu√©m ofereceria mais vantagens ao Estado e √† PM? Que benef√≠cios a medida traz √† sociedade?

Uma l√≥gica perversa. Sair em 30 dias soa como uma ordem de despejo. A situa√ß√£o em que se encontra a PM faz lembrar a l√≥gica das remo√ß√Ķes de ‚Äúcomunidades‚ÄĚ. Primeiro derrubam-se as casas e casebres e removem-se os moradores, sem que estes tenham para onde ir, mas com a promessa de que, posteriormente, ser√£o constru√≠das moradias condignas em algum lugar, jamais constru√≠das. Ironia. No caso da venda do QG da PMERJ e da prometida constru√ß√£o do futuro QG, corre-se o risco de o provis√≥rio ser definitivo. Acho que ningu√©m quer isso.

Bem, para onde vai o QG, provisoriamente?

 

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