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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em maio, 2012

VENDA DO QG DA PMERJ (II)

28 de maio, 2012    

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L√™-se no jornal O Globo deste domingo, 27 / 05 / 12, que o novo QG da PM vai para onde se situa hoje o BPChoque, no Regimento Marechal Caetano de Farias, no Est√°cio. N√£o para as atuais instala√ß√Ķes, que ser√£o demolidas (com exce√ß√£o da fachada do Regimento, tombada pelo Patrim√īnio Hist√≥rico e Cultural do Rio de Janeiro). Os demais edif√≠cios do complexo ser√£o colocados abaixo para dar lugar ao novo QG.

Duas informa√ß√Ķes contidas na mat√©ria deixam d√ļvidas: primeira, a de que a Petrobr√°s imp√Ķe a condi√ß√£o para fechar o neg√≥cio, aparentemente aceita pelo governo, de que o atual QG seja demolido antes, o que seria feito em 30 dias; e a segunda informa√ß√£o, que a constru√ß√£o do futuro QG estaria conclu√≠da em dois anos, se tudo correr bem.

A mat√©ria n√£o informa. Demolido o atual QG, e demolidas quase todas as instala√ß√Ķes do complexo onde se pretende erguer o futuro QG, h√° que perguntar: nesse meio tempo, para onde seriam transferidos o Comando e os √≥rg√£os de dire√ß√£o geral e de Estado Maior que funcionam no atual QG?

Nota. Esta postagem complementa a anterior, abaixo.

 

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VENDA DO QG DA PMERJ

27 de maio, 2012    

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Uma das alega√ß√Ķes do governo do Estado para vender quart√©is da PMERJ √© que o conceito de aquartelamento seria inadequado √†s fun√ß√Ķes da pol√≠cia ostensiva. Com base nessa ideia pretende-se acabar com o QG da PM. Ora, uma coisa √© manter uma unidade operacional como a do Leblon num verdadeiro elefante branco, desnecessariamente. Outra bem diferente √© n√£o entender que o Comando de uma Corpora√ß√£o de n√≠vel estadual, com dezenas de milhares de integrantes, carece de √≥rg√£os centrais de dire√ß√£o geral, planejamento e controle. De gerenciamento de pessoal, de meios log√≠sticos, finan√ßas, intelig√™ncia, correi√ß√£o, de articula√ß√£o institucional etc.. E isso tudo n√£o cabe em qualquer lugar.

Compara√ß√Ķes t√™m sido feitas de modo apressado com pol√≠cias de outros pa√≠ses. Ora a compara√ß√£o √© feita com a pol√≠cia francesa, ora com a italiana, ora com a norte-americana, e por a√≠ vai.

A polícia francesa é nacional (Police Nationale); não é departamental (a França é dividida em departamentos), nem local, pois o mando da polícia, como em Paris, cabe ao prefect de police, ligado ao poder central, e não ao prefeito da cidade, cumprindo anotar que, além dos commissariats (distritos policiais, comparáveis às nossas delegacias de polícia), a Police Nationale possui enormes aquartelamentos, sem falar nos quartéis da Gendarmerie Nationale. Modelo bem parecido com o da Itália, com a Polizia di Stato, nacional, e os Carabinieri, também nacionais.

No caso dos Estados Unidos, √© comum fazer-se a compara√ß√£o com a pol√≠cia de Nova Iorque e os seus precints (distritos policiais). Acontece que naquele pa√≠s, como se sabe, a seguran√ßa p√ļblica √© incumb√™ncia preponderantemente local, das cidades e condados. Em suma, do prefeito. Na compara√ß√£o dos precints com os quart√©is da PM, as pessoas se esquecem ou fingem esquecer-se das nossas delegacias de pol√≠cia e de que l√° a pol√≠cia √© √ļnica. E deixam de lado o fato de que o Headquarters (QG) da NYPD, no cora√ß√£o de Manhattan, √© maior do que o QG da PMERJ.

Como se verifica, há outras diferenças, além daquelas que costumam ser apresentadas para justificar a medida, que, por alguma razão, têm sido deixadas de lado:

(a) o modelo brasileiro é sui generis. Não combina com o europeu nem com o norte-americano. A segurança, aqui, é atribuição maior dos estados da federação;

(b) cada estado brasileiro possui, obrigatoriamente, duas polícias, uma judiciária e uma ostensiva, operando no mesmo espaço, além de existirem a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e, sem mandato policial, as Guardas Municipais;

(c) as PPMM, al√©m das fun√ß√Ķes de pol√≠cia ostensiva e de preserva√ß√£o da ordem p√ļblica, s√£o for√ßas auxiliares e reserva do Ex√©rcito, para efeito das miss√Ķes desta For√ßa;

(d) em caso de grave perturbação da ordem, a Corporação pode ter que entrar de prontidão por dias ou semanas, ou deslocar-se, em grandes efetivos, de uma cidade para outra dentro do estado. Onde seriam alojados os PMs? Transportados como? Alimentados onde?

N√£o cabe d√ļvida de que o nosso modelo (modelo brasileiro) precisa ser revisto, por√©m, ao pensar em copiar modelos estrangeiros, imp√Ķe-se levar em conta estas e outras diferen√ßas, sem falar nas diferen√ßas culturais. Se fizermos isso, √© poss√≠vel que cheguemos √† conclus√£o de que temos mais coisas a ensinar do que a aprender…

 

 

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NOTA DE REP√öDIO DA AME/RJ

25 de maio, 2012    

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Transcrevo abaixo, em apoio, a Nota de Rep√ļdio da AME/RJ ¬†contra a venda do QG da PMERJ. Algu√©m me responda: que benef√≠cios a medida traria √† PM, √† seguran√ßa, ao Rio de Janeiro e √† sociedade em geral?

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ASSOCIAÇÃO DE OFICIAIS MILITARES ESTADUAIS

DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ‚Äď AME/RJ

IDEALISMO NA LUTA POR DIREITOS  

 

REP√öDIO

 

A Associa√ß√£o dos Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro ‚Äď AME/RJ, entidade de classe representativa de Policiais e Bombeiros Militares¬†do Estado, no sentido de assegurar a preserva√ß√£o do patrim√īnio da Policia Militar, vem atrav√©s do presente manifestar¬†profundo e absoluto REP√öDIO¬†√† venda do Quartel General da PMERJ promovida pelo Governador, cuja inten√ß√£o do neg√≥cio, segundo notoriamente anunciado pelo referido Governante, √© acabar com o conceito de aquartelamento na corpora√ß√£o.

O pr√≥prio onde est√° sediado o Quartel General da PMERJ alberga valores imateriais incomensur√°veis, de express√£o hist√≥rica relevante n√£o s√≥ para a cidade e o Estado do Rio de Janeiro, mas para a forma√ß√£o do Brasil. A import√Ęncia estrat√©gica do Quartel General √© inquestion√°vel e sua localiza√ß√£o propicia o eficiente e vers√°til desdobramento e a r√°pida articula√ß√£o de unidades policiais e tropas para qualquer parte da cidade, possibilitando uma presta√ß√£o de servi√ßo efetiva e c√©lere.

O neg√≥cio imobili√°rio promovido pelo Governador retira da PMERJ o seu bem maior, a sua casa, um im√≥vel que se insere num contexto arquitet√īnico que traduz parte da hist√≥ria do Brasil. Com essa venda, vence a gan√Ęncia do poder p√ļblico, a especula√ß√£o imobili√°ria, o descaso com a hist√≥ria,¬† e a passividade da popula√ß√£o que n√£o d√° valor ao que lhe pertence. Por sua vez, perde-se mais de duzentos anos de hist√≥ria, a dignidade do policial militar, a honra dos que poderiam ter evitado tal trag√©dia, e nossos descendentes que sequer poder√£o contemplar uma caserna que abrigou grandes e ilustres militares brasileiros, her√≥is de nossa p√°tria.

Por conta de tudo isso e, sobretudo, em razão de tudo que simboliza e significa o imóvel do Quartel-General para a PMERJ e para a cidade do Rio de Janeiro, a AME/RJ REPUDIA veementemente a venda do Quartel General da PMERJ.

À Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a associação itera irrestrito apoio e solidariedade.

Rio de Janeiro, 22 de maio de 2012

CARLOS FERNANDO FERREIRA BELO

PRESIDENTE

Associa√ß√£o de Oficiais Militares Estaduais do Rio de Janeiro ‚Äď AME/RJ

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CAIXA PRETA SALARIAL E A LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO

24 de maio, 2012    

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Entrou em vigor no √ļltimo dia 17 / 05 / 2012 a Lei de Acesso √† Informa√ß√£o (n¬ļ 12.527, de 18/11/2011). Pren√ļncio de uma verdadeira revolu√ß√£o cultural. Inicia-se agora o embate entre um Estado herm√©tico e seus associados tradicionais, de um lado, e uma sociedade que se pensa democr√°tica e aberta, de outro. A quest√£o das disparidades salariais ganha relevo, motivo pelo qual republico, a prop√≥sito, post que publiquei em 2009, falando da ‚ÄúCaixa Preta‚ÄĚ salarial brasileira e da necessidade de publicidade das contas p√ļblicas. A√≠ vai: ¬†¬†¬†

CAIXA PRETA SALARIAL (II) (E NAS CONTAS P√öBLICAS)

No ‚Äúpost‚ÄĚ Caixa Preta Salarial (I), mais abaixo, falei das disparidades no servi√ßo p√ļblico, e de funcion√°rios, inclusive de n√≠vel t√©cnico, com sal√°rios acima do teto nacional, o subs√≠dio de ministro do Supremo Tribunal Federal, de R$ 24.500,00. Ali n√£o me referi √† retribui√ß√£o dos parlamentares e governantes, de vez que, como agentes pol√≠ticos, a eles h√° que se dar tratamento diverso daquele dado aos ministros do Supremo, na base de subs√≠dio fixo, sem quaisquer outros adicionais.

Embora se deva reconhecer que os descalabros nos parlamentos federal, estaduais e municipais constituem uma vergonha nacional, verdadeira ‚Äúfarra do boi‚ÄĚ, como, felizmente, uma imprensa livre √© capaz de mostrar, √© for√ßoso reconhecer igualmente que essas autoridades desempenham fun√ß√Ķes de natureza peculiar. No caso dos parlamentares, pensar em atribuir-lhes subs√≠dio fixo √© exigir dos mesmos que custeiem, do pr√≥prio bolso (n√£o vou entrar na discuss√£o t√©cnica de se √© vencimento, subs√≠dio, remunera√ß√£o) os gastos com as viagens √†s suas bases eleitorais e dentro dos seus estados; com gasolina, telefone e correio, e com assessoramento pessoal, no parlamento e na base.

No que diz respeito ao presidente da Rep√ļblica, idem. O presidente representa a Na√ß√£o, e a liturgia do cargo exige que o mesmo tenha garantidas todas as condi√ß√Ķes para o seu exerc√≠cio pleno, com dignidade e altivez: resid√™ncia oficial, e mesmo pal√°cios, aeronaves, ve√≠culos, seguran√ßa para si e sua fam√≠lia, assessoramento pessoal etc., tudo custeado pelo Estado. √Č assim mundo afora. O mesmo deve ser garantido, ainda que em menor escala, aos governadores, e, em alguma medida, aos prefeitos.

Isto posto, não há falar em subsídio fixo de parlamentares, do presidente, governadores e prefeitos tendo como referência o teto nacional. Em contrapartida, é contraditório que o salário nominal (de contracheque) do presidente e dos governadores seja estabelecido como teto dos servidores do Executivo federal e dos Estados, respectivamente. Ora, os servidores de carreira não têm a sua alimentação e a de sua família pagas pelo Estado; nem o seu transporte; nem o gás; nem a luz; nem as contas de internet etc.

Ent√£o, voltemos √†s perguntas do Caixa Preta Salarial I (Conferir). E acrescentemos: quanto ganha o presidente ou um governador, ademais do sal√°rio do contracheque ‚Äď que √© meramente simb√≥lico ‚Äď se somarmos as despesas de car√°ter pessoal, privado, como alimenta√ß√£o sua e de sua fam√≠lia; com g√°s, luz e √°gua, por exemplo? Vamos fazer as contas. Os servidores pagam por tudo isso do pr√≥prio sal√°rio.

Fico imaginado um presidente ou governador que resolva adotar, de forma demag√≥gica, o gesto de Lee Iacocca, ent√£o presidente da Chrysler quando esta estava √† beira da fal√™ncia, que reduziu o pr√≥prio sal√°rio a simb√≥lico 1 d√≥lar a fim de justificar o aperto salarial na empresa. S√≥ que estamos falando de dinheiro p√ļblico, cuja aplica√ß√£o entre n√≥s raramente atende aos anseios da popula√ß√£o em geral, e sim a arranjos pol√≠tico-eleitorais, e interesses nem sempre confess√°veis‚Ķ

Al√©m dos sal√°rios e ganhos indiretos de todos, por que n√£o publicar tamb√©m na internet, como faz a prefeitura de S√£o Paulo, a rela√ß√£o das empresas com as quais o Poder P√ļblico contrata e os respectivos valores? V√°rios pa√≠ses est√£o nesse caminho (Chile, Estados Unidos, Peru, Paraguai, Rep√ļblica Dominicana).

Vamos ver quem é contra…

agosto 16th, 2009

Obs. Se houver interesse, o link de Caixa Preta Salarial I é o seguinte:

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=326

 

 

 

 

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UERJ FIRMA PARCERIA COM UNIVERSIDADE NEGRA NORTE-AMERICANA PARA INTERC√āMBIO DE PROFESSORES E ALUNOS

19 de maio, 2012    

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Acontecer√° no Audit√≥rio da Reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Uerj, no pr√≥ximo dia 21, segunda-feira, √†s 10:00 h., o Encontro de Trabalho entre a dire√ß√£o da Southern University Batton Rouge / Lousiana – USA e a da Universidade do Estado do Rio de Janeiro ‚Äď Uerj. Na oportunidade, o Prof. Dr. James L. Llorens, Chanceler daquela Institui√ß√£o, e o Prof. Dr. Ricardo Vieiralves de Castro, Reitor da Uerj, assinar√£o o Memorando de Entendimento ‚Äď MOU dando in√≠cio √† parceria.

Feliz coincid√™ncia. O interc√Ęmbio inicia-se no momento em que os ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declaram constitucionais os programas de cotas nas universidades brasileiras.

As duas universidades t√™m afinidades. A Southern University Baton Rouge, fundada em 1880, foi uma das primeiras universidades voltadas para o desenvolvimento educacional, econ√īmico e social dos negros ap√≥s a aboli√ß√£o da escravatura naquele Pa√≠s. A Uerj foi a primeira universidade brasileira a implantar um programa de cotas na educa√ß√£o superior para estudantes negros. Em suma, as duas institui√ß√Ķes p√Ķem foco especial nas quest√Ķes da diversidade e da igualdade, oferecendo oportunidade de acesso a todos, independentemente de g√™nero, etnia, religi√£o ou origem.

A programa√ß√£o prev√™ ainda: no dia 21, a palestra da Prof¬™ Dr¬™ M√īnica Heilbron, Sub-Reitora de P√≥s-Gradua√ß√£o e Pesquisa, sobre a Uerj e suas atividades, e a do Chanceler Llorens sobre a hist√≥ria e as atividades da Southern; e no dia 22, palestra da Prof¬™ Dr¬™ Len√° Medeiros, Sub-Reitora de Gradua√ß√£o, sobre ¬†‚ÄúA√ß√£o Afirmativa e o Sistema de Cotas‚ÄĚ.

A parceria √© concebida com o objetivo de promover a coopera√ß√£o m√ļtua nos campos do ensino e da pesquisa, com √™nfase nas seguintes √°reas: Interc√Ęmbio do corpo docente e estudantes; Atividades conjuntas de pesquisa; Interc√Ęmbio Cultural; Atividades de extens√£o; Programas acad√™micos especiais de curta dura√ß√£o; participa√ß√£o em semin√°rios e encontros acad√™micos.

 

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DROGAS. QUESTÃO DO SISTEMA DE SAÚDE OU DO SISTEMA POLICIAL-PENAL-MILITAR?

15 de maio, 2012    

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Aconteceu em Salvador no dia 11 de maio √ļltimo a ‚ÄúReuni√£o T√©cnica do Banco de Injusti√ßas da Lei de Drogas‚ÄĚ (http://www.bancodeinjusticas.org.br/), evento patrocinado pela Associa√ß√£o Nacional dos Defensores P√ļblicos (ANADEP), pela ADEP / BA) e PELA Comiss√£o Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD / Viva Rio). Mais uma vez, concluiu-se que a chamada ‚Äúguerra √†s drogas‚ÄĚ, lan√ßada pelos norte-americanos no final da d√©cada de 1960 e in√≠cio da d√©cada de 1970 com o pretexto de proteger a juventude, nasceu falida.

Perguntas que nortearam as discuss√Ķes: “A que serve o modelo proibicionista‚ÄĚ? “Por que drogas t√£o ou mais nocivas que a maconha, como o √°lcool e o tabaco, n√£o s√£o ilegais?” Por que n√£o h√° empenho da governan√ßa global na conten√ß√£o da prolifera√ß√£o de armas utilizadas na ‘guerra’, na mesma medida do empenho na repress√£o militarizada ao consumo e ao tr√°fico?” Cart√©is e governos combatem com armas origin√°rias das mesmas fontes…

O que se observa no mundo atual √© que, da mesma forma que a proibi√ß√£o do √°lcool na d√©cada de 1920 nos Estados Unidos, a proibi√ß√£o penal da maconha, por exemplo (a droga mais consumida no mundo), s√≥ tem trazido danos e desgra√ßa. Brasileiros matando brasileiros (policiais, bandidos, pessoas inocentes etc.), mexicanos matando mexicanos (no √ļltimo dia 13 de maio, o cartel Los Zetas, mexicano, matou e mutilou 49 pessoas, mexicanas, de uma s√≥ tacada).

O objetivo declarado pela chamada ‚Äúguerras √†s drogas‚ÄĚ, de proteger a juventude, revelou-se uma fal√°cia, pois dita ‚Äúguerra‚ÄĚ vitimiza exatamente a juventude. ¬†Ora, o consumo de drogas pela juventude √© quest√£o de sa√ļde p√ļblica, importante demais para ser deixado aos cuidados do sistema penal e da pol√≠cia. Ali√°s, o tabaco e o √°lcool s√£o exemplos desta afirma√ß√£o. Campanhas educativas na TV e restri√ß√Ķes quanto a locais em que se pode fumar t√™m conseguido diminuir o consumo, sobretudo entre os jovens. No caso do √°lcool, idem. J√° h√° restri√ß√Ķes consider√°veis. √Č proibido, por exemplo, vender bebidas a menores de dezoito anos, embora a lei seja burlada; e a chamada ‚ÄúLei Seca‚ÄĚ (proibi√ß√£o de beber e dirigir), embora um tanto draconiana, tem reduzido o consumo, pelo menos entre os motoristas.

Um dado sem explica√ß√£o. Depois do fiasco da ‚ÄúProibi√ß√£o‚ÄĚ do √°lcool nos Estados Unidos com a chamada ‚ÄúLei Seca‚ÄĚ (explos√£o do tr√°fico, prolifera√ß√£o de gangsteres, corrup√ß√£o policial e de autoridades, estrutura√ß√£o do crime organizado em n√≠vel nacional, e viol√™ncia nas ruas), os norte-americanos resolveram legalizar a produ√ß√£o, a circula√ß√£o, a venda, o consumo, a importa√ß√£o e a exporta√ß√£o do √°lcool, sob controle do Governo, canalizando bilh√Ķes de d√≥lares para os cofres p√ļblicos. Naquele pa√≠s, at√© hoje, o controle do √°lcool √© mais r√≠gido do que, por exemplo, no Brasil. Estranhamente, o que temos hoje nos pa√≠ses perif√©ricos, considerados produtores ou rota para a Europa e os Estados Unidos (os principais consumidores mundiais), √© o modelo da Lei Seca que os norte-americanos abandonaram. Estranho…

Sendo quest√£o de sa√ļde, √© preciso abandonar o enfoque criminal na abordagem do tema das drogas psicoativas. H√° que distinguir entre usu√°rios eventuais e usu√°rios problem√°ticos. Estes devem ‚Äď se o desejarem ou concordarem ‚Äď ser encaminhados para tratamento, e n√£o para a delegacia de pol√≠cia ou interna√ß√£o for√ßada, eufemismo para pris√£o. Um complicador para que programas dessa natureza sejam desenvolvidos no Brasil √© que o uso ainda √© considerado crime, o que estigmatiza as pessoas, raz√£o pela qual √© imperioso, para come√ßar, descriminalizar o uso, sobretudo da maconha.

 

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ARMAS N√ÉO-LETAIS. PM “DEDO NERVOSO” USA SPRAY DE PIMENTA CONTRA CADELA

8 de maio, 2012    

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Deu no Globo (7 MAI 2012): ‚ÄúPM usa spray de pimenta contra cadela‚ÄĚ.

O epis√≥dio do PM usando spray de pimenta contra uma cadela na Rocinha reacendeu a discuss√£o sobre o uso de armas ditas n√£o-letais. Sup√Ķe-se que tais armas, ao contr√°rio das consideradas letais, n√£o causariam morte nem graves danos aos atingidos por elas. Fatos recentes mostram que a teoria n√£o corresponde √† realidade.

Armas classificadas como n√£o-letais existem h√° d√©cadas, empregadas pelas pol√≠cias do mundo inteiro. Na origem, foram concebidas para controlar dist√ļrbios civis, manifesta√ß√Ķes coletivas violentas, e n√£o para situa√ß√Ķes corriqueiras da pol√≠cia, contra indiv√≠duos. Bisnagas e cassetetes de g√°s lacrimog√™neo, carros cuspidores de jatos d‚Äô√°gua para dispersar multid√Ķes e granadas de efeito ¬†moral eram e s√£o armas n√£o-letais. Mas n√£o me consta que algu√©m tenha morrido em virtude do emprego desses meios.

Acontece que, em vista do aumento do uso descontrolado da for√ßa letal (arma de fogo) por parte de policiais, em vez de se buscar capacit√°-los a s√≥ usarem a arma de fogo como √ļltimo recurso, em leg√≠tima defesa pr√≥pria ou de outrem, e de punir os excessos, resolveu-se ampliar o conceito de arma n√£o-letal, a partir da premissa, aparentemente √≥bvia, de que uma pistola de choque el√©trico, por exemplo, √© menos letal do que uma pistola calibre .45. Ora, uma pistola calibre .45 s√≥ √© mais letal do que uma pistola de choque se for disparada contra algu√©m, o que n√£o quer dizer que uma pistola de choque n√£o possa matar ou ferir gravemente.

O problema no uso de armas ditas n√£o-letais como o choque el√©trico e o spray de pimenta √© o seu uso indiscriminado contra indiv√≠duos, e n√£o contra grupos hostis. Um policial pensar√° dez vezes antes de atirar com uma pistola .45, e nenhuma antes de atirar pimenta nos olhos de algu√©m, ou de uma cadela. Como se diz no jarg√£o policial, √© mais f√°cil ser um ‚Äúdedo nervoso‚ÄĚ com uma pistola de g√°s de pimenta ou de choque el√©trico do que com uma .40.

Se o PM errou, o que mais estaria errado?

 

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