foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em abril, 2012

(CONTINUAÇÃO II…) MIGRAÇÃO DE BANDIDOS PARA NITERÓI

4 de abril, 2012    

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“FOCO NA QUESTÃO”

Diante do desproporcional aumento da violência na Grande Niterói e São Gonçalo (em relação ao estado, e à capital), registrado pelas estatísticas do Instituto de Segurança Pública do governo do Estado, e reverberado tanto pela mídia quanto pelas comunidades das duas cidades (aumento vertiginoso de assaltos à mão armada, assaltos seguidos de morte, multiplicação dos roubos de carros, roubos em ônibus, a residências etc.), há quem conclua que tal seria fruto da invasão de bandidos emigrados das favelas cariocas onde foram implantadas as chamadas UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Que tem havido migração de bandidos não há dúvida, mas é preciso reconhecer que esse não é o principal problema.

Migração ou não, o pânico entre os moradores das duas cidades vem se instalando há algum tempo, e estes se mobilizam em manifestações e passeatas, pedindo providências ao governo. São mandados inicialmente para Niterói 24 policiais e, em seguida, prometidos mais 100. Enquanto isso, na Favela da Rocinha, ocupada pela PM, assiste-se à disputa sangrenta de facções pelo domínio do tráfico de drogas. O governo aumenta inicialmente o efetivo da ocupação para 350 PMs e decide que os recrutas em formação no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap) atuem em estágio prático na favela, o que significa, conforme publicou O Globo (3 e 4 de abril), um aumento de 350 para 700 PMs.

Ora, os municípios de Niterói e São Gonçalo possuem, juntos, mais de hum milhão de habitantes. O 12º BPM, que possui, segundo matéria também do jornal O Globo, 700 PMs, como já mencionado em postagem anterior, tem que cobrir os municípios de Niterói e Maricá.  Temos então: Favela da Rocinha: 700 PMs; cidades de Niterói e Maricá: 700 PMs.

Na página em que esses e outros fatos relacionados à segurança são divulgados e comentados, abre-se um boxe com a OPINIÃO do jornal, de título: FOCO NA QUESTÃO, onde se lê (edição de 3 de abril):  

  • Atribuir a onda de violência em Niterói a uma relação de causa e efeito com a manutenção de tropas da PM em UPPs no Rio apenas embaça o real foco do problema. O que está em questão é que aquela cidade vive um momento de insegurança, do que é prova o inaceitável aumento dos indicadores de violência. É um problema a ser enfrentado, e com prioridade, com as ferramentas de gestão de que a Secretaria de Segurança do estado dispõe, sem deixar que se contaminem as ações de defesa da população por discursos diversionistas.

Embora o mini editorial não traga a identidade social do editorialista (onde mora, por exemplo), cabe razão a ele. Há que haver FOCO NA QUESTÃO. E já que fala em “ferramentas de gestão”, como explicar que a Rocinha (70 mil habitantes, segundo o próprio jornal) tenha o mesmo efetivo que atende às cidades de Niterói e Maricá? Às vezes tem-se a impressão de que os editorialistas não lêem o próprio jornal em que escrevem.

Bem, a Rocinha é a Rocinha…

 

       

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