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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em janeiro, 2012

A DELEGADA, O TENENTE, A ‚ÄúLEI SECA‚ÄĚ E A SOCIEDADE BRASILEIRA

26 de janeiro, 2012    

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A chamada ‚ÄúLei Seca‚ÄĚ oferece rico material de an√°lise aos estudiosos da sociedade brasileira. Multiplicam-se os casos em que celebridades, autoridades e pessoas poderosas n√£o se conformam em ser tratadas como os demais motoristas. Talvez se imaginem isentas, por uma condi√ß√£o que consideram ‚Äúespecial‚ÄĚ (num pa√≠s em que ainda existe a brasileir√≠ssima ‚Äúpris√£o especial‚ÄĚ para pessoas “especiais”), dos procedimentos a que est√£o sujeitos os demais cidad√£os. J√° houve at√© casos de autoridades inconformadas com a abordagem que deram voz de pris√£o ao policial em servi√ßo (lembro-me de pelo menos dois ju√≠zes e um desembargador que assim fizeram).

Esta semana, a m√≠dia nos d√° conta de um entrevero entre uma delegada de pol√≠cia e um tenente da PM numa dessas opera√ß√Ķes. A delegada acusa o tenente de abuso de autoridade (este a teria inclusive algemado); e o tenente a acusa de t√™-lo desacatado, recusando-se a fazer o teste do baf√īmetro e a entregar-lhe os documentos, al√©m de t√™-lo arranhado no pesco√ßo.

Cada um com a sua raz√£o, n√£o sendo este o ponto de quem busca entender por que colegas policiais (pelo menos em teoria) chegam ao ponto em que chegaram. Mas n√£o custa lembrar fatos recentes acontecidos no Rio de Janeiro: primeiro, a disputa pelo ‚Äúpoder‚ÄĚ de registrar ocorr√™ncias policiais entre as duas pol√≠cias, fato j√° comentado em postagem anterior; segundo, o epis√≥dio das duas pris√Ķes pol√™micas e espetaculosas do coronel Beltrami, pedidas e executadas por um delegado, com direito a convoca√ß√£o da imprensa e entrevista na TV, pris√Ķes estas anuladas por dois desembargadores pelo fato de o pedido das pris√Ķes ter-se valido apenas de escutas telef√īnicas inconclusivas; terceiro, a retomada da velha picuinha entre delegados e oficiais da PM em torno do conceito de ‚Äúautoridade policial‚ÄĚ.

Para os delegados, s√≥ eles s√£o autoridades policiais. Os PMs, de soldado a coronel, seriam seus meros agentes. Para os oficiais da PM, n√£o √© assim. Estes afirmam que, no policiamento ostensivo, na preserva√ß√£o da ordem p√ļblica e em grandes eventos, tamb√©m s√£o ‚Äúautoridades policiais‚ÄĚ, mas de natureza administrativa, de sua inteira responsabilidade. De um lado, ‚Äúautoridades policiais judici√°rias‚ÄĚ, e de outro, ‚Äúautoridades policiais administrativas‚ÄĚ. A esse respeito, remeto o leitor a postagem sobre essa dicotomia:¬†http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=2390¬†.

Voltando ao caso da delegada e do tenente. Quem sabe ela não aprendeu na Academia da Polícia Civil que só os delegados são autoridades policiais? Tal implicaria a conclusão de que o tenente seria seu subordinado, com o dever de prestar-lhe obediência e continência.

Se ainda ensinam isso nas academias da Polícia Civil (e o contrário na PM), o comportamento dos dois está explicado.

Em suma: numa sociedade socialmente hierárquica como a brasileira, em que o juiz acha que é mais do que o promotor; em que o juiz e o promotor acham que são mais do que o delegado; em que o delegado acha que é mais do que o PM; em que o PM acha que é mais do que o Guarda Municipal, e assim vai, os atritos entre as pessoas são a ponta do iceberg. Mais que procurar saber quem está com a razão, se a delegada ou o tenente, se estas ou aquelas pessoas, vislumbra-se a possibilidade de estudar a parte submersa do iceberg.

 

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HAITIANOS E O N√ď HIST√ďRICO DAS POL√ćTICAS IMIGRAT√ďRIAS NO BRASIL

17 de janeiro, 2012    

OU… ¬†A PROFECIA DE LACERDA N√ÉO SE CUMPRIU, 100 ANOS DEPOIS

 

Vejam a coincid√™ncia.¬†O epis√≥dio da leva de haitianos que t√™m entrado no Brasil por obra dos chamados ‚Äúcoiotes‚ÄĚ tem provocado rea√ß√Ķes amb√≠guas. Dividido entre aplicar o rigor da legisla√ß√£o imigrat√≥ria e flexibiliz√°-la, o governo fez as duas coisas. Em manchete de primeira p√°gina do jornal O Globo do √ļltimo dia 11, quarta feira, lia-se:

“Brasil fecha fronteiras para conter ‚Äėinvas√£o‚Äô de haitianos /¬†Contra atua√ß√£o de coiotes, governo vai refor√ßar fiscaliza√ß√£o e controlar vistos de trabalho”

A matéria dá conta de que o governo regularizará a situação dos que já estão no país, cerca de 4 mil, e que a embaixada do Brasil em Porto Príncipe concederá apenas 100 vistos de trabalho mensais a haitianos.

Na edi√ß√£o do dia 12, quinta-feira, tamb√©m em mat√©ria de primeira p√°gina, o jornal mostra que o governo avan√ßou na flexibiliza√ß√£o: “Haitianos poder√£o trazer suas fam√≠lias”.¬†

Os que obtiverem o visto poder√£o trazer pai, m√£e, c√īnjuge, companheiro ou companheira, filhos menores ou at√© 24 anos, se solteiros, e os vistos concedidos a esses familiares n√£o entrar√£o na cota estabelecida. A mat√©ria √© complementada na edi√ß√£o do dia seguinte, 13.

Bem, n√£o entro no m√©rito das decis√Ķes, pois o meu ponto √© outro. Surpreendeu-me a manchete de primeira p√°gina do jornal neste domingo, 15 de janeiro: “Brasil vai facilitar visto de trabalho para estrangeiro /¬†Pa√≠s quer atrair europeus qualificados mas desempregados pela crise”

E o complemento da not√≠cia: ‚ÄúCoordenador da equipe da Secretaria de Assuntos Estrat√©gicos (SAE) que elabora a nova pol√≠tica, Ricardo Paes de Barros diz que a ideia √© estender tapete vermelho para os europeus desempregados pela crise e estabelecer limites para a entrada de imigrantes que fogem da pobreza ‚Äď como vem acontecendo com os haitianos‚ÄĚ.

Sutil como um elefante. Mas faz sentido. O coordenador, pelo menos, √© franco, e sua posi√ß√£o n√£o traz qualquer novidade. A pol√≠tica de branqueamento faz parte da nossa tradi√ß√£o. O Dr. Jo√£o Baptista de Lacerda previu, em 1911, em Londres, que em cem anos os negros e ind√≠genas estariam ‚Äúextintos‚ÄĚ no Brasil. Portanto, a ideia de barrar a entrada de negros faz parte do processo. A√≠ est√° o n√≥ hist√≥rico a que me referi no in√≠cio. Cito apenas dois instrumentos legais para exemplificar: [meu grifo]

– Dec. Lei n¬ļ 7.969 / 1945, baixado por Get√ļlio Vargas:¬†‚ÄúAtender-se-√°, na admiss√£o dos imigrantes, √† necessidade de preservar e desenvolver, na composi√ß√£o √©tnica da popula√ß√£o, as caracter√≠sticas mais convenientes da sua ascend√™ncia europ√©ia‚ÄĚ.

– E o Decreto n¬ļ 525 / 1890 (logo ap√≥s a aboli√ß√£o da escravatura…), que tornou LIVRE a imigra√ß√£o, ‚Äúexcetuados os ind√≠genas da √Āfrica ou da √Āsia‚ÄĚ, os quais ‚Äúsomente mediante autoriza√ß√£o do Congresso Nacional poder√£o ser admitidos‚ÄĚ.

Nem precisa pedir a Freud para explicar. Resta saber se a posição do coordenador da SAE é só dele ou também do secretário da pasta e da presidente Dilma.

PS. Sobre a profecia do Dr. Lacerda, remeto o leitor, se interessar, ao link abaixo. √Č s√≥ clicar:

http://www.jorgedasilva.com.br/artigo/46/a-profecia-de-lacerda-nao-se-cumpriu,-100-anos-depois–/

 

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(Continua√ß√£o 2…) A ESTRANHA PRIS√ÉO DO CORONEL BELTRAMI

14 de janeiro, 2012    

 

…¬†E¬†A F√ĀBULA DO LOBO E O CORDEIRO

(Nota pr√©via: Esta √© a terceira vez que me manifesto sobre o caso Beltrami. Esclare√ßo que meu prop√≥sito n√£o √© defender a pessoa dele. Tenho ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† duas preocupa√ß√Ķes: primeira, com a possibilidade de algu√©m, seja quem for, sem prova, sofrer injusti√ßa e ter a honra maculada; segunda, com ¬† ¬† ¬† a forma como o assunto vem sendo tratado, via meios de comunica√ß√£o, expondo ao esc√°rnio p√ļblico, apressada e desnecessariamente, um ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† cidad√£o e uma Corpora√ß√£o. S√≥ n√£o se preocupa com isso quem n√£o viveu ou conhece casos em que pessoas foram execradas, sem volta, ou ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† ¬†colocadas na rua da amargura injustamente. Pode acontecer com qualquer um, de qualquer organiza√ß√£o, p√ļblica ou privada. O lobo de hoje ¬† ¬† ¬† ¬† ¬† pode ser o cordeiro de amanh√£…).

O jornal EXTRA de hoje, dia 14 jan., traz em sua primeira página manchete sobre a nova libertação do coronel Beltrami. Ao lado de uma foto em que o mesmo aparece fardado, lê-se: 

‚ÄúDelegado n√£o revela provas, e Justi√ßa manda soltar coronel de novo /¬†Desembargador: tudo n√£o passa de mera suspeita‚ÄĚ

Encimando a manchete, √© estilizado um placar, com o resultado: [ 55 x ()¬†]. ‚ÄúN√öMERO DE VEZES EM QUE O NOME DE BELTRAMI √Č CITADO NO PEDIDO DE PRIS√ÉO‚ÄĚ (55) ¬†X ¬†‚ÄúN√öMERO DE VEZES EM QUE O NOME DE BELTRAMI √Č CITADO NOS GRAMPOS‚ÄĚ ( () ).

O desembargador Ant√īnio Carlos dos Santos Bitencourt, que revogou a pris√£o, alertou para o fato de que muitos ju√≠zes atuam com a f√≥rmula ‚Äúprende ou solta‚ÄĚ na cabe√ßa. Como se sabe, a pris√£o preventiva s√≥ deve ser pedida e decretada quando certos requisitos forem atendidos, como a prova da autoria, o risco de evas√£o do autor, se este oferecer risco √† instru√ß√£o criminal, ou para a garantia da ordem p√ļblica.

Segundo o desembargador, diferentemente do que afirmou o delegado encarregado do inqu√©rito √† m√≠dia, n√£o teriam sido apresentados fatos novos. (O delegado, em entrevista ao RJ TV, da Rede Globo, afirmou que o coronel cometeu “omiss√£o dolosa”). Para o desembargador, o pedido de pris√£o, comparado ao primeiro, lembra ‚Äúo conhecido ‘samba de uma nota s√≥”, onde se bate na mesma tecla ou corda, por fato novo apenas em raz√£o dos anteriores”.¬†

 Transcrevo dois trechos da decisão:

– ¬†‚ÄúE isso pode ocorrer quando se tem por √≥tica o perigoso “Estado Policial”, onde direitos s√£o solapados, acusa-se primeiro para depois provar, e exp√Ķe-se apressadamente a vida de uma pessoa ao rep√ļdio social, e tudo isso sem a menor parcela de arrependimento, ou “mea culpa”, porque o Estado investigativo tudo explica √† semelhan√ßa da tenebrosa fic√ß√£o de Orwell, em seu livro ‚Äė1984‚Äô ‚Äú.

¬†–¬†‚ÄúO juiz de primeiro grau que decretou a pris√£o deu magia a novas palavras, que passaram a ter a for√ßa de prender, dizendo ter surgido das escutas telef√īnicas, novas refer√™ncias que comprometeriam o paciente, mas que continuam no perigoso terreno da suspeita, da conjectura, da perplexidade autoral.‚ÄĚ

Bem, tendo em vista que os dois desembargadores que atuaram no caso criticaram a investiga√ß√£o, cuja conclus√£o pareceu baseada unicamente em escutas telef√īnicas nas quais o nome do acusado sequer √© citado, h√° que pensar na distin√ß√£o entre pol√≠cia judici√°ria e pol√≠cia de investiga√ß√£o; entre ‚Äúinvestigar‚ÄĚ e investigar. A pergunta a fazer √© a seguinte: e antes das escutas, dos chamados grampos, como a pol√≠cia¬†investigava (a palavra ‚Äúgrampo‚ÄĚ vem do tempo em que se tinha que subir em postes para coloc√°-lo, e isso n√£o faz tanto tempo assim…)?

Em tempo: Na postagem anterior, manifestei preocupação com a hipótese de o coronel Beltrami, com culpa ou sem culpa, vir a ter o mesmo destino do cordeiro da fábula de La Fontaine. Acho que eu estava certo.

 

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(Cont…) CORRUP√á√ÉO. LUTANDO CONTRA ‚ÄúMALFEITOS‚ÄĚ DE PMs

12 de janeiro, 2012    

… E DE OUTROS SETORES¬†

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Em postagem de mesmo t√≠tulo, publicada h√° tr√™s dias (ver adiante), comentei a iniciativa da PMERJ de afixar cartazes nos quarteis com o objetivo, segundo o comandante-geral, de ‚Äúmexer com os brios‚ÄĚ dos PMs. Ali sugeri que a ideia dos cartazes fosse aproveitada por outros setores p√ļblicos, num mutir√£o nacional em torno do valor vergonha.

Chega-me ao conhecimento artigo de Augusto Nunes sobre o ‚Äúesc√Ęndalo do mensal√£o‚ÄĚ, publicado em VEJA.com no dia

22/12/2011, sob o t√≠tulo: “O Supremo fica bem mais sensato com uma faca imagin√°ria no pesco√ßo”.¬†Algu√©m perguntar√°: ‚ÄúO que tem uma coisa a ver com a outra?‚ÄĚ Respondo: Tudo. Transcrevo um trecho:

√Äs nove e meia da noite de 28 de agosto de 2007, o ministro Ricardo Lewandowski chegou ao restaurante em Bras√≠lia ansioso por comentar com algu√©m de confian√ßa a sess√£o do Supremo Tribunal Federal que tratara da den√ļncia do procurador-geral da Rep√ļblica, Antonio Fernando de Souza, sobre o esc√Ęndalo do mensal√£o. Por ampla maioria, os ju√≠zes endossaram o parecer do relator Joaquim Barbosa e decidiram processar os 40 acusados de envolvimento na trama. Sem paci√™ncia para esperar o jantar, Lewandowski deixou a acompanhante na mesa, foi para o jardim na parte externa, sacou o celular do bolso do terno e, sem perceber que havia uma rep√≥rter da¬†Folha¬†por perto, ligou para um certo Marcelo. Como n√£o parou de caminhar enquanto falava, a jornalista n√£o ouviu tudo o que disse durante a conversa de 10 minutos. Mas qualquer das frases que anotou valia manchete.

‚ÄúA tend√™ncia era amaciar para o Dirceu‚ÄĚ, revelou de sa√≠da o ministro, que atribuiu o recuo dos colegas a press√Ķes geradas pelo notici√°rio jornal√≠stico. ‚ÄúA imprensa acuou o Supremo‚ÄĚ, queixou-se. Mais algumas considera√ß√Ķes e o melhor momento do palavr√≥rio: ‚ÄúTodo mundo votou com a faca no pesco√ßo‚ÄĚ.¬† Todo mundo menos ele: o risco de afrontar a opini√£o p√ļblica n√£o lhe reduziu a disposi√ß√£o de amaciar para Jos√© Dirceu, acusado de ‚Äúchefe da organiza√ß√£o criminosa‚ÄĚ. S√≥ Lewandowski ‚ĒÄ contrariando o parecer de Joaquim Barbosa, a den√ļncia do procurador-geral e a catarata de evid√™ncias ‚ĒÄ discordou do enquadramento do ex-chefe da Casa Civil por forma√ß√£o de quadrilha. ‚ÄúN√£o ficou suficientemente comprovada¬† a acusa√ß√£o‚ÄĚ, alegou. O mesmo pretexto animou-o a tentar resgatar tamb√©m Jos√© Geno√≠no. Ningu√©m divergiu tantas vezes do voto de Joaquim Barbosa: 12. Foi at√© pouco, gabou-se na conversa com Marcelo: ‚ÄúTenha certeza disso. Eu estava tinindo nos cascos‚ÄĚ.

 

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GRADUAÇÃO EM SEGURANÇA NA UFF

10 de janeiro, 2012    

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UMA LUZ NO FIM DO T√öNEL

Criado o curso de gradua√ß√£o em Seguran√ßa P√ļblica na Universidade Federal Fluminense – UFF, depois do empenho de anos do professor Roberto Kant de Lima. Transcrevo mat√©ria do jornal O Globo deste domingo, 08/01 /2011, a respeito.

 

“PM na UFF

Por Luiz Garcia

‚ÄúDentro de quatro anos, o Rio ganhar√° profissionais com forma√ß√£o universit√°ria em seguran√ßa p√ļblica. Parece boa ideia, pelo menos porque toda novidade positiva nessa √°rea √© bem-vinda em princ√≠pio.

Numa guerra que a sociedade n√£o est√° ganhando ‚ÄĒ na melhor das hip√≥teses, defendida por otimistas obstinados, estamos segurando nos dentes um fr√°gil empate ‚ÄĒ novas ideias merecem, pelo menos, uma expectativa forrada de esperan√ßa.

A iniciativa √© da Universidade Federal Fluminense, que oferece 60 vagas a novos universit√°rios. O dono da ideia, professor Roberto Kant de Lima, diz que a forma√ß√£o de profissionais que existe hoje “nas academias de pol√≠cias e faculdades de Direito” n√£o tem o que ele chama de “perspectiva da sociedade”: est√° amarrada √† “vis√£o do aparelho de repress√£o do Estado”.

Traduzindo: a ideia √© treinar profissionais que pensem prioritariamente nos interesses dos cidad√£os ‚ÄĒ que n√£o seriam exatamente id√™nticos aos das autoridades que cuidam da seguran√ßa p√ļblica ‚ÄĒ e isso n√£o √© exatamente uma novidade. Os in√©ditos bachar√©is em seguran√ßa estar√£o distantes do que o professor chama de “l√≥gica da repress√£o”: v√£o estudar mat√©rias como administra√ß√£o de conflitos, sociologia e antropologia.

O projeto n√£o √© novo: h√° quatro anos, foi rejeitado pela UFF. E, de 2000 a 2006, ele existiu sob a forma de um curso de especializa√ß√£o obrigat√≥rio para a promo√ß√£o de policiais do Estado do Rio. N√£o deu certo, segundo Kant de Lima, porque os policiais-alunos “vinham com suas culturas profissionais muito enraizadas”. Na nova vers√£o, n√£o h√° esse problema: os candidatos n√£o ter√£o experi√™ncia alguma. O que os defensores da ideia consideram uma virtude, com a mesma certeza que os advers√°rios a condenam.

Vale a pena registrar que a novidade √© elogiada por um coronel da PM, Robson Rodrigues, que tem, pode-se dizer, experi√™ncia nos dois times: √© mestre em antropologia e foi comandante das UPPs ‚ÄĒ possivelmente a melhor iniciativa da Secretaria de Seguran√ßa do Rio de Janeiro nas √ļltimas d√©cadas.

Ele lembra que levar a seguran√ßa p√ļblica para o meio universit√°rio √© uma iniciativa democr√°tica. Tem raz√£o, com certeza: √© uma forma de aproximar os agentes do Estado dos cidad√£os.‚ÄĚ

 

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CORRUP√á√ÉO. LUTANDO CONTRA ‚ÄúMALFEITOS‚ÄĚ DE PMs

9 de janeiro, 2012    

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‚ÄúVoc√™ quer ser her√≥i ou vergonha de sua fam√≠lia?‚Ä̬† Conforme noticiou o jornal¬†O GLOBO¬†(07 / 01 / 12), esta √© a frase¬†¬†que encima o cartaz que a PMERJ, por sugest√£o da ASSINAP (Associa√ß√£o dos Ativos, Inativos e Pensionistas da PM e do CB) resolveu afixar em todos os quart√©is da Corpora√ß√£o. O objetivo, segundo o comandante-geral, √© ‚Äúmexer com os brios‚ÄĚ dos PMs. A iniciativa √© v√°lida, e deve ser apoiada, apesar da pol√™mica que vem despertando. De fato, n√£o deixam de ter raz√£o os que perguntam por que uma foto n√≠tida (ainda que uma montagem) de um pra√ßa, e n√£o uma silhueta que desse apenas a ideia de se tratar de um integrante qualquer da corpora√ß√£o, sem indica√ß√£o de gradua√ß√£o ou posto? Por que a foto de um PM preso, algemado, fardado? Tendo em vista a ampla divulga√ß√£o na m√≠dia aberta, que mensagem √© realmente passada, n√£o para o p√ļblico interno, mas para as fam√≠lias dos policiais-militares e para a popula√ß√£o em geral? Este √© um aspecto que merece reflex√£o, mas que n√£o invalida o esfor√ßo de lutar contra os ‚Äúmalfeitos‚ÄĚ (vou tamb√©m usar esse eufemismo para atos de corrup√ß√£o policial, como se faz no mundo pol√≠tico…).

A ideia busca recuperar e p√īr em relevo o valor vergonha, e apela para o valor fam√≠lia. O problema √© que na maioria dos esc√Ęndalos dos √ļltimos tempos no Brasil tem-se constatado que a vergonha n√£o √© uma marca forte da cultura brasileira, pelo menos entre os poderosos. Ora, se se rouba em fam√≠lia (ou se a fam√≠lia, unida, usufrui conscientemente do roubo); se entre n√≥s os que insistem na virtude da honestidade s√£o considerados ‚Äúbabacas‚ÄĚ (perdoem-me a express√£o, mas √© assim que a eles muitos se referem), at√© que ponto √© eficaz apelar para o sentimento da vergonha e para a fam√≠lia?

De qualquer forma, n√£o se deve desistir. A ideia da PM deve ser aprofundada. Ideal mesmo seria que, num mutir√£o nacional contra a corrup√ß√£o sist√™mica, a ideia de afixar cartazes cobrando vergonha fosse aproveitada por outros setores p√ļblicos que tamb√©m padecem desse mal.

Lançada a campanha. O que acham?

 

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