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Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

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Arquivados em setembro, 2010

ALTA CORRUP√á√ÉO E A TEORIA DAS “MA√á√ÉS PODRES” (IV)

20 de setembro, 2010    

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ERENICE. CULPADA OU INOCENTE?

Este √© o nono ‚Äúpost‚ÄĚ em que chamo a aten√ß√£o do leitor para a utiliza√ß√£o conveniente, por setores poderosos, da teoria falaciosa das ‚Äúma√ß√£s podres‚ÄĚ. Tal teoria¬†toma a corrup√ß√£o como mera falha de car√°ter deste ou daquele indiv√≠duo, ou seja, como exce√ß√£o √† regra da integridade moral da maioria, sem fazer caso de que¬†corruptos aplicados,¬†menos azarados, ou mais ‚Äúespertos‚ÄĚ, a√≠ se escondem.¬†Boa receita para desviar o foco do verdadeiro problema: a corrup√ß√£o estrutural, sist√™mica, arraigada na cultura social e pol√≠tica, e praticada √† larga em todas as esferas da Administra√ß√£o e em todos os poderes, de forma articulada com o¬†segundo e o terceiro setores.

Os tr√™s primeiros ‚Äúposts‚ÄĚ tiveram a ver com o esc√Ęndalo do Senado em 2009¬†(atos secretos para criar cargos, nomear parentes, aumentar-lhes os sal√°rios etc.). Quando afirmei que o principal problema era que tais pr√°ticas estavam¬†arraigadas na tradi√ß√£o, e que a execra√ß√£o p√ļblica dos envolvidos (e n√£o a sua puni√ß√£o √† luz da Lei) servia muito mais para cristalizar a ideia de que est√°vamos diante de simples ‚Äúirregularidades‚ÄĚ administrativas, san√°veis (sic), fui acusado de estar defendendo os envolvidos. N√£o era isso. √Č que tinha em mente outros esc√Ęndalos, abordados da mesma forma: o da ‚ÄúMandioca‚ÄĚ, o do ‚ÄúOr√ßamento‚ÄĚ (an√Ķes do Congresso), o dos Correios, o do Mensal√£o e o do Mensalinho, o dos Sanguessugas das ambul√Ęncias etc. Esses e outros acontecimentos, inobstante a como√ß√£o geral, praticamente ca√≠ram no esquecimento. Da mesma forma que, daqui a uma ou duas semanas, execrada a ex-ministra Erenice, os recentes fatos envolvendo pessoas ligadas a ela tamb√©m cair√£o.

Lament√°vel √© que esses epis√≥dios, em vez de servirem a reflex√Ķes sobre os motivos da sua irritante recorr√™ncia, sejam usados pontualmente para alimentar a pugna pol√≠tico-eleitoral e/ou servir a interesses outros. Com isso, honestidade e √©tica passam a ser atributos male√°veis, minimizados ou maximizados em fun√ß√£o das circunst√Ęncias,¬†prefer√™ncias e alinhamentos partid√°rios. Nada de tocar nas redes de interesses, nas estruturas e esquemas montados exatamente para alimentar os ‚Äúsistemas‚ÄĚ.

PS. Os tr√™s ‚Äúposts‚ÄĚ mencionados podem ser acessados pelos links abaixo:

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=79

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=85

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=859

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PORTAIS, MUROS E CERCAS. AINDA APARTAÇÃO?

4 de setembro, 2010    

 

L√™-se no jornal O Globo de hoje, s√°bado, 04 / 09 / 2010, p. 19, em mat√©ria assinada pelas jornalistas Isabel Ara√ļjo e Fl√°via Lima:

Moradores da Urca pedem portal de seguran√ßa ap√≥s 3 arrast√Ķes em 10 dias

 
Comandante do 2¬ļ BPM diz que esse tipo de crime cresce em toda a cidade¬†

 

E no corpo da matéria:

‚ÄúA associa√ß√£o de Moradores da Urca (Amur) pretende reivindicar, junto √† Secretaria estadual de Seguran√ßa P√ļblica, a constru√ß√£o de um portal de seguran√ßa nos moldes do projeto desenvolvido para a Ilha. A proposta ser√° semelhante a uma pra√ßa de ped√°gio, com c√Ęmeras de monitoramento‚ÄĚ.

O presidente da Amur √© categ√≥rico: ‚ÄúNossa √ļnica solu√ß√£o √© refor√ßar a seguran√ßa na entrada e sa√≠da do bairro com um portal‚ÄĚ.

Em suma, parece que o presidente deseja ver o seu bairro transformado em outra ‚Äúilha‚ÄĚ em rela√ß√£o √† cidade. Ser√° que pensou em passes? Portais, muros e cercas. Portal da Urca, Portais da Barra, Portal da Ilha.¬†Assim, de ilha em ilha, vai-se configurando, √†s claras, n√£o uma cidade partida em duas, como a viu Zuenir Ventura em livro c√©lebre, mas em v√°rias partes. Partes. Tristeza¬†para quem sempre sonhou ver o Rio integrado socialmente.

Remeto o leitor do ‚Äúblog‚ÄĚ a um pequeno conto, ‚ÄúArrast√£o em¬†Ipacabana‚ÄĚ, publicado h√° mais de 20 anos, em meio a outra onda separatista motivada pelo medo. √Č s√≥ clicar:

http://www.jorgedasilva.com.br/conto/6/arrastao-em-ipacabana/

 

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