foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva é cientista político. Doutor em Ciências Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecnólogo em Segurança Pública (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alemão, no Rio, serviu antes à PM, corporação em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi também secretário de Estado de Direitos Humanos/RJ. É vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibição)).

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Arquivados em fevereiro, 2010

ENQUETE: A “DESFUSÃO”, NA PRÁTICA

25 de fevereiro, 2010    

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DIAS ATRÁS, 10/02, O BLOG PUBLICOU UM “POST” (VER ADIANTE) SOBRE O PROCESSO DE “DESFUSÃO” QUE, NA PRÁTICA, VEM-SE OBSERVANDO ENTRE NÓS, DO QUE É EVIDÊNCIA A DESPROPORCIONAL CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS, SERVIÇOS E PESSOAL NA ATUAL CAPITAL DO ESTADO (EM PARTICULAR NA ZONA SUL), EM DETRIMENTO DO RESTANTE DA CIDADE E DAS DEMAIS CIDADES DO ANTIGO ESTADO DO RIO. É COMO SE ESTIVESSEM REALMENTE PREPARANDO O CAMINHO PARA A DESFUSÃO.        

 

ENQUETE: EM CASO DE UMA EVENTUAL DESFUSÃO, A QUEM A MESMA FAVORECERIA?

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“HOW TO LIE WITH STATISTICS”

17 de fevereiro, 2010    

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COMO MENTIR COM AS ESTATÍSTICAS

 

Estamos nas “Cinzas”, tempo de purgação de pecados e de busca da verdade. A propósito, convido os preocupados com a violência à reflexão sobre os descuidos com a verdade, e refiro o livro How to lie with statistics (Port. Como mentir com as estatísticas) que trata dos descaminhos a que pode levar a forma como os números são “lidos” e divulgados. Exemplo gritante deste fato foi a manchete de primeira página do jornal O Globo do último dia 9 do corrente:

 

“Taxa de homicídio no Rio em 2009 foi a menor da década”

 

Era a repetição de outra manchete de primeira página, publicada em 18 de outubro passado, no mesmo tom, com igual vício:

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“Números da violência caem no Rio”

 

É compreensível que a mídia não seja mais um fator a contribuir para o medo das pessoas, porém um ensinamento do autor do citado livro adverte para as possibilidades de utilização dos números com outros objetivos: ‘The secret language of statistics […] is employed to sensationalize, inflate, confuse, and oversimplify’ ((Tradução livre: A linguagem secreta da estatística […] é utilizada para produzir sensação, aumentar, confundir e simplificar demais).

 

Pergunto: qual o objetivo de “descuidos” tão evidentes? Poupo-me de tentar responder, mas reitero o convite à reflexão, em momento tão propício, o das “Cinzas”.

A acurada análise de Marcus Miranda, que encontrei no Observatório da Imprensa sob o título “Dados manipulados sobre violência” (edição 577, de 16/02/2010) em que refere matérias do jornal O Globo, pode ajudar. Aí vai o “link”. É só clicar:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=577IMQ004

 Obs. Referência do livro, se for de interesse: HUFF, Darrell. How to Lie with Statistics. New York: Norton, 1954. (Pode ser comprado pela Internet). Não sei se foi traduzido para o português. 

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A “DESFUSÃO”, NA PRÁTICA

10 de fevereiro, 2010    

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A fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975 até hoje não foi bem assimilada por determinados setores dos dois antigos estados. Em diferentes momentos surgiram propostas de “desfusão”, sob os mais variados argumentos, o que não é o caso de discutir aqui. A última onda aconteceu há cinco anos, capitaneada pelo movimento “Autonomia Carioca”, que lançou inclusive um site (www.autonomiacarioca.com.br) para aglutinar adeptos. Naqueles dias escrevi:

 

“[…] No bojo das discussões sobre a violência da cidade, um grupo da elite carioca (sic) lançou um movimento para separar o Município do Rio do restante do Estado […] Um estado à parte, com a mal disfarçada intenção de se livrar da população pobre da Baixada, o que se pode conferir no site do movimento […]. Independentemente do eventual mérito da proposta, são às vezes risíveis os contorcionismos discursivos de seus adeptos (quase todos da elite econômica, intelectual e política da cidade) ante a contradição de pretenderem se livrar dos pobres da Baixada, mas ficar com o que nela consideram bom. Até mesmo o normalmente lúcido e ponderado comentarista Merval Pereira, dos mais influentes colunistas do jornal O Globo (possui uma coluna diária), sugere:

 

“Faz a desfusão, mas permanecem no Estado da Guanabara II os municípios-dormitórios que o cercam, na Baixada Fluminense e arredores. Seriam cariocas aqueles que trabalham aqui, que procuram os hospitais públicos cariocas – e cujos impostos ajudariam a melhorar o atendimento hoje agonizante principalmente pelo excesso de pacientes”“ (Grifo meu)

 

Grifei o “permanecem” porque […] o verbo é inadequado. Mais coerente, portanto, seria que Merval empregasse verbos como “incorporar”, “anexar”, “expandir”. (De repente, a frase “seriam cariocas aqueles que trabalham aqui” me traz à mente os antigos bantustões da África do Sul, cujos moradores só podiam circular em Joanesburgo e outras cidades portando passes, com a indicação do que iriam fazer e os horários de permanência).”  (cf. http://www.jorgedasilva.com.br/node/73)

 

Hoje concluo: se os prosélitos da apartação tivessem conseguido o seu intento, teríamos, bem ou mal, dois estados, cada qual com a sua estrutura político-administrativa. O problema é que, como não conseguiram, resolveram investir na “desfusão” informal, na prática. E aproveitam as Olimpíadas para consegui-lo. A esses maus cariocas não interessa o Estado como um todo, e sim os limites do seu umbigo. Talvez não sejam egoístas nem elitistas. Devem acreditar sinceramente que aquilo que é bom para a Zona Sul do Rio é bom para toda a Cidade – e todo o resto (sic) do Estado.  

    

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APs e UPPs. ZONA SUL, ZONA NORTE E “PERIFERIA”

5 de fevereiro, 2010    

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Em “post” anterior (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=786),  chamei a atenção para a contradição de decisão governamental em face do drama vivido pela população da Grande Tijuca e adjacências. Os frequentes assaltos, assassinatos, tiroteioos e o domínio do tráfico tinham chegado ao cúmulo da derrubada, em 17 out 09, de um helicóptero da polícia, com a morte de três policiais. Agora, vê-se que a situação permaneceu a mesma, não se compreendendo por que o assunto foi esquecido por quem NÃO não vive lá. Após a morte do “chefe” do Morro do Salgueiro nesta quarta feira, dia 3, o comércio de boa parte da Tijuca permaneceu fechado por ordem dos traficantes. Estava fechado até ontem à noite, como nos dão conta os jornais.

Deu, por exemplo, no Extra Online de ontem, dia 4.:

Tiros assustam moradores da Tijuca durante velório de chefe do tráfico do Morro do Salgueiro.       

 

RIO – O comércio segue fechado na Tijuca, nesta quinta-feira, apenas na Rua General Roca, no quarteirão entre a Rua dos Araújos e a Rua Bom Pastor, por conta da morte do traficante Fabio Barbosa de Moura, o “Fabinho do Salgueiro”. Ao todo, sete lojas não abriram na área, que fica no pé da comunidade. Apenas duas lojas do quarteirão, uma oficina mecânica e um salão de beleza, abriram as portas. Em sinal de luto, dois panos pretos foram estendidos em lajes do Salgueiro.

A propósito, trancrevo a seguir trecho do  “post” acima mencionado, no qual especifiquei exatamente a Tijuca:

[…] Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: “Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas”. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?”

E agora José, diria Drummond?

Obs. Esclareço que não moro na Tijuca, nem próximo a ela.  

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ENQUETE (Para quem NÃO mora na AP2.1 (Zona Sul do Rio))

3 de fevereiro, 2010    

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SEM ENTRAR NO MÉRITO DAS CHAMADAS UPPs, MAS TENDO EM VISTA QUE HÁ DOMÍNIO DO TRÁFICO EM CENTENAS DE “COMUNIDADES” DA CIDADE DO RIO (E DE VÁRIAS CIDADES DO ESTADO), EM QUAIS AS REFERIDAS UPPs DEVERIAM SER INSTALADAS COM PRIORIDADE, SE FOSSE O CASO?  

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