foto de Jorge Da Silva

Jorge Da Silva √© cientista pol√≠tico. Doutor em Ci√™ncias Sociais pela UERJ e professor-adjunto / pesquisador-visitante da mesma universidade. Professor conteudista do Curso EAD de Tecn√≥logo em Seguran√ßa P√ļblica (UFF - CEDERJ / CECIERJ). Criado no hoje chamado Complexo do Alem√£o, no Rio, serviu antes √† PM, corpora√ß√£o em que exerceu o cargo de chefe do Estado-Maior Geral. Foi tamb√©m secret√°rio de Estado de Direitos Humanos/RJ. √Č vice-presidente da LEAP Brasil ('Law Enforcement Against Prohibition Brazil' (Agentes da Lei Contra a Proibi√ß√£o)).

Ver perfil

Os conteúdos dos textos deste Blog podem ser usados livremente. Pedimos, no caso, que sejam consignados os devidos créditos, com a citação do autor e da fonte.

 



 

 

Arquivados em dezembro, 2009

ROLETAS NA AP2.1

31 de dezembro, 2009    

.

ROLETAS EM COPACABANA?

Em coment√°rio via e-mail no blog do Extra Online (31/12/09), o leitor Hugo Coutinho Pessanha afirmou: ‚ÄúDaqui a pouco v√£o colocar roletas em Copacabana e cobrar ingresso‚ÄĚ. O coment√°rio foi uma rea√ß√£o √† mat√©ria na qual o prefeito e o secret√°rio de Ordem P√ļblica explicavam o que podia e o que n√£o podia nos festejos de fim de ano na Praia de Copacabana.¬† A prefeitura tinha anunciado a proibi√ß√£o de v√°rias coisas, dentre elas o ‚Äúchurrasquinho‚ÄĚ e bebidas em garrafas de vidro. Na mat√©ria, de Let√≠cia Vieira, l√™-se:

 

‚ÄúDepois de a prefeitura anunciar que o churrasquinho seria alvo de choque de ordem na festa de r√©veillon, o prefeito Eduardo Paes afirmou que √©¬†poss√≠vel fazer uma¬†“farofa organizada” sem estragar a comemora√ß√£o‚ÄĚ. Em entrevista gravada, o secret√°rio de Ordem P√ļblica explicou que as pessoas poderiam levar bebidas, sim, desde que ‚Äúem lata ou em garrafa pl√°stica, exceto, obviamente, a champanhe, que √© uma tradi√ß√£o, a champanhe ou um espumante; a pessoa quer, enfim, comemorar l√°, estourar o espumante …‚ÄĚ ¬†¬†

 

Mais adiante, o secret√°rio afirma: ‚ÄúOs ambulantes que tenham autoriza√ß√£o [….]¬†estar√£o autorizados a trabalhar. Os que n√£o tiverem autoriza√ß√£o n√£o poder√£o trabalhar em Copacabana.¬† N√≥s faremos uma barreira em todas as ruas transversais √† Avenida Atl√Ęntica pra evitar a entrada dos ambulantes que, efetivamente, n√£o estiverem licenciados‚ÄĚ. A entrevistadora, ent√£o, faz uma pergunta aparentemente embara√ßosa: ‚ÄúE nessa barreira a popula√ß√£o¬† tamb√©m pode ter algum produto checado no local, como isopor ou algum outro utens√≠lio?‚ÄĚ O secret√°rio responde que, “a priori, n√£o”; que s√≥ seriam coibidos os excessos.¬† A entrevistadora interrompe o secret√°rio e pergunta: ‚ÄúO prefeito disse que estaria autorizada uma¬†‘farofa organizada‚Äô. O que o senhor pode dizer, o que seria essa¬†‘farofa organizada‚Äô na praia? O secret√°rio, em resumo, reitera as suas raz√Ķes. E a entrevistadora, ap√≥s o secret√°rio falar sobre o efetivo de guardas e outros agentes que estariam em servi√ßo, faz a √ļltima pergunta: “Ent√£o, vai ser um r√©veillon da legalidade“. E o secret√°rio, bem humorado, responde: N√≥s esperamos que seja um r√©veillon da tranquilidade, que √© mais importante do que da legalidade”.

 

Caros prefeito e secret√°rio, √© compreens√≠vel a preocupa√ß√£o com a ordem. Afinal, √© uma¬†necessidade. Por√©m, convenhamos: quando que champanhe e espumante s√£o tradi√ß√£o do pov√£o? Farofa ‚Äúorganizada‚ÄĚ? Barreiras em todas as ruas?¬†Parece que o¬†leitor Hugo Coutinho tem raz√£o: ‚ÄúDaqui a pouco v√£o colocar roletas em Copacabana e cobrar ingresso‚ÄĚ. Reflitam.

Como tenho obsessão com o tema da integração social da cidade, insisto em que não se deve tentar transformar a AP2.1 em uma cidade à parte, como afirmo nos posts http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=917 e  http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=786.

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

AP2.1 – UMA NOVA “CIDADE”? (II)… “PRINCIPADO DE M√ĒNACO?”

23 de dezembro, 2009    

 . 

 

Em ‚Äúpost‚ÄĚ de 05/12/09, AP2.1 – OLIMP√ćADAS NO RIO (V)… UMA NOVA CIDADE? (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=786), chamei a aten√ß√£o para a necessidade de se aproveitar as Olimp√≠adas e¬†promover a integra√ß√£o social do Rio de Janeiro, pois √© not√≥rio que, lamentavelmente, esta ainda √© uma cidade fragmentada, como, h√° 15 anos, demonstrou Zuenir Ventura. Exemplos: os alt√≠ssimos n√≠veis de viol√™ncia (reconhecidamente dos mais altos¬†do mundo) e os crescentes antagonismos subjacentes √† dicotomia ‚Äúfavela / asfalto‚ÄĚ. E mencionei o fato de que, ap√≥s a escolha da cidade como sede das Olimp√≠adas, acentuou-se a tend√™ncia de olh√°-la como constitu√≠da apenas dos espa√ßos da Zona Sul (AP2.1); e agora, tamb√©m, da Barra da Tijuca.

 

Embora tenha feito breve refer√™ncia ao significado da sigla AP2.1, alguns¬† leitores do ‚Äúblog‚ÄĚ ficaram na d√ļvida. Explico-me. Para efeito das pol√≠ticas governamentais, o Munic√≠pio do Rio¬†√© dividido em cinco ‚Äú√Āreas de Planejamento‚ÄĚ (APs), cada uma englobando um n√ļmero determinado de Regi√Ķes Administrativas (RAs) e bairros. Assim, grosso modo:

 

AP1 РCentro e adjacências (população: 268.260);

AP2 РZona Sul e região da Tijuca (população: 997.478);

AP3 – Sub√ļrbio (Leopoldina): popula√ß√£o: 2.353.590);

AP4 – Sub√ļrbio (parte da Zona Oeste): popula√ß√£o: 682.051);

AP5 – Sub√ļrbio (parte extrema da Zona Oeste: popula√ß√£o: 1.556.505).

                                                               Total da população (censo 2000): Р5.857.884

 

A AP2 √© subdividida em AP2.1 (Zona Sul) e AP2.2 (Regi√£o da Tijuca e Vila Isabel), sendo importante salientar¬†que a AP2.1, segundo dados do √ļltimo censo, possui apenas 669.769 habitantes, contra os 5.188.115 das demais APs. Quando se percebe que, com vistas √†s Olimp√≠adas, as autoridades t√™m voltado sua aten√ß√£o (e recursos p√ļblicos) prioritariamente para a AP2.1 e Barra, tento mostrar que isso tem o efeito colateral de acentuar a divis√£o social da Cidade, cuja hist√≥ria mostra que esse vezo elitista (o de empurrar os problemas para a periferia e encostas dos morros) responde por boa parte dos problemas de hoje. Uma esp√©cie de efeito bumerangue da aus√™ncia de pol√≠ticas que resultem¬†de uma vis√£o estrat√©gica da evolu√ß√£o da cidade como um todo. Basta lembrar que as pol√≠ticas inauguradas pela Rep√ļblica (demoli√ß√£o¬†dos corti√ßos, como o ‚ÄúCabe√ßa de Porco‚ÄĚ, em 1893;¬†o ‚ÄúBota-Abaixo‚ÄĚ do per√≠odo 1903-1906; as remo√ß√Ķes de favelas das d√©cadas de 1950, 1960 e 1970), visavam t√£o-somente ao embelezamento do eixo Centro ‚Äď Sul, sem que o destino dos deslocados fosse levado em conta.¬†Que se ajeitassem por a√≠. Deu no que deu.¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†

 

Os temas do momento s√£o viol√™ncia e desordem urbana. De novo, h√° quem s√≥ pense nos velhos m√©todos (demoli√ß√Ķes, remo√ß√Ķes, cercas, muros e invas√Ķes¬†da pol√≠cia), sem se curvar √† irracionalidade de imaginar ser poss√≠vel transformar a AP2.1 numa esp√©cie de ‚ÄúPrincipado de M√īnaco‚ÄĚ, no qual os indesej√°veis n√£o entrariam sem passaporte. A n√£o ser que o principado fosse constitu√≠do por todas as APs da Cidade, ou melhor, que correspondesse ao territ√≥rio de todo o Estado…¬†¬†

 

Se h√° que haver invas√£o das favelas, que seja na forma anunciada pelo Governo Federal com o PAC. Uma ‚Äúinvas√£o‚ÄĚ diferente, na forma como imaginei ¬†em livro h√° doze¬†anos:

 

‚ÄúUma ‚Äėinvas√£o‚Äô de servi√ßos em larga escala: arruamentos (com algumas vias bem amplas), √°gua, esgoto, limpeza urbana, boas escolas, postos de sa√ļde e hospitais, seguran√ßa (para os moradores, e n√£o contra eles), transporte etc. √Č √≥bvio que um empreendimento desse porte teria o custo de alguns bilh√Ķes de d√≥lares, e n√£o somente os cerca de US$ 300 milh√Ķes previstos para o Projeto Favela Bairro […] n√£o sendo tarefa da qual possa desincumbir-se o governo municipal ou estadual. Se a situa√ß√£o presente reflete, em grande medida, erros de projetos pol√≠tico-econ√īmico-sociais de car√°ter nacional (do per√≠odo colonial, do Imp√©rio e da Rep√ļblica), h√° que ser resolvido com o empenho da inst√Ęncia nacional‚ÄĚ. (DA SILVA, Jorge. Viol√™ncia e racismo no Rio de Janeiro. Niter√≥i: Eduff, 1988, p.75). ¬†

 

√ďbvio que a AP2.1 merece todo¬†o cuidado. Afinal de contas, √© um marco destacado da cidade, patrim√īnio nacional. Por√©m, como algu√©m j√° disse, o equil√≠brio est√° no meio, e n√£o nos extremos. ¬†

 

Se os moradores da AP2.1 se engajarem numa proposta como esta¬†(pedir √†s autoridades, por um tempo, recursos e¬†aten√ß√£o¬†para a periferia), a cidade ser√°¬†integrada logo logo.¬†Com alguns bilh√Ķes de reais (dinheiro n√£o falta),¬†as AP2.2, AP3,¬†AP4 e AP5 v√£o ficar um brinco, como se diz, e tamb√©m¬†v√£o¬†orgulhar os moradores da AP2.1. E com menos viol√™ncia.¬†¬†

.

Imprimir este post Imprimir este post    |   

IMPROVISOS PREPARADOS (II)

13 de dezembro, 2009    

.

LULA E OS IMPROVISOS PREPARADOS (II)

 

Em ‚Äúpost‚ÄĚ anterior, SOBRE ‚ÄúBRANCOS DE OLHOS AZUIS‚ÄĚ (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=9), disse que n√£o acho, como muitos, que o presidente Lula, sempre que fala de improviso, descuida-se e acaba dizendo bobagens. Muito pelo contr√°rio, penso eu. N√£o digo que ele n√£o fale o que parece bobagens, mas se o faz √© de prop√≥sito. Dei √†quele ‚Äúpost‚ÄĚ o subt√≠tulo IMPROVISOS PREPARADOS.

Agora o presidente, em solenidade em S√£o Luis, Maranh√£o, afirma: ‚ÄúEu quero √© saber se o povo est√° na m. e eu quero tirar o povo da m.‚ÄĚ

Quem achar que o presidente falou de improviso √©, no m√≠nimo, ing√™nuo. Com certeza, foi tudo muito bem pensado, do que s√£o exemplos a repercuss√£o do epis√≥dio (que ele previu no mesmo discurso…), e a visibilidade conseguida sobre os temas reunidos no ‚Äúimproviso‚ÄĚ: saneamento b√°sico e benef√≠cio aos pobres). N√£o fosse a utiliza√ß√£o daquela palavra, √© mesmo poss√≠vel que s√≥ os presentes √† solenidade e uma pequena parte do povo de S√£o Luis tivessem conhecimento da sua mensagem.¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†

Lula n√£o √© erudito, mas possui, indiscutivelmente, intelig√™ncia superior (o que n√£o se pode dizer de muitos de seus cr√≠ticos, que posam de instru√≠dos e eruditos, mas…). Ele sabe que, em fun√ß√£o do ethos de nossa sociedade, ser rico √© pecado. Outro dia, como nos informa Ancelmo G√≥is (O Globo, 28.8.2009), o homem mais rico do Brasil, Eike Batista, em palestra na Fiesp (Federa√ß√£o das Ind√ļstrias do Estado de S√£o Paulo), dirigiu-se aos presentes nos seguintes termos: ‚ÄúN√≥s, da classe m√©dia‚ÄĚ. S√≥ falta Eike Batista dizer que √© pobre para Lula pular de 83% de aprova√ß√£o para 100%.

Bem, se alguma coisa h√° de se condenar no presidente √© a n√£o seletividade dos meios que utiliza para atingir os seus objetivos. De qualquer forma…

.

 

Imprimir este post Imprimir este post    |   

ALTA CORRUP√á√ÉO E A TEORIA DAS ‚ÄúMA√á√ÉS PODRES‚ÄĚ (III)

13 de dezembro, 2009    

.

COM A M√ÉO NA MASSA EM BRAS√ćLIA

Este √© o terceiro ‚Äúpost‚ÄĚ que publico sobre a corrup√ß√£o dos poderosos, com foco em fatos escabrosos acontecidos em Bras√≠lia. Neste, s√≥ quero chamar a aten√ß√£o para um ponto, que tem a ver com a forma como os poderosos acusados de corrup√ß√£o reagem em diferentes sociedades. Temos tr√™s tipos de rea√ß√£o: Em certos pa√≠ses, o poderoso flagrado em ato de corrup√ß√£o se mata, com vergonha dos amigos, da fam√≠lia e da sociedade. Em outros, √© considerado traidor do povo e da Na√ß√£o, e √© fuzilado. No Brasil, o poderoso pego com a m√£o na massa n√£o se envergonha nem √© considerado traidor do povo, e sim¬†‚Äúma√ß√£ podre‚ÄĚ, com o que todos os demais pares poderosos se salvam.¬†√ćntegros at√© um novo esc√Ęndalo.¬†Ent√£o, o acusado mostra-se, ele sim, indignado com a acusa√ß√£o, desafiando quem quer que seja a provar o provado.¬†O corrupto √© que fica indignado. Pergunto: por que √© assim no Brasil?

Obs.¬†Ver os outros dois ‚Äúposts‚ÄĚ sobre o tema. √Č s√≥ clicar:¬†http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=85¬†e http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=79.¬†

Imprimir este post Imprimir este post    |   

OLIMP√ćADAS NO RIO (V)

5 de dezembro, 2009    

.

 AP2.1 РUMA NOVA CIDADE?

 

Na seq√ľ√™ncia de ‚Äúposts‚ÄĚ sobre as Olimp√≠adas de 2016 no Rio, tenho sustentado que as autoridades, em vez de aproveitarem a oportunidade para promover a integra√ß√£o social da ‚Äúcidade partida‚ÄĚ, como a viu Zuenir Ventura‚ÄĚ h√° 15 anos, agem como se quisessem transformar a AP2.1* numa ilha √† parte. Para demonstrar esse ponto, listei algumas evid√™ncias no ‚Äúpost‚ÄĚ IV, em trecho que transcrevo:

 

¬†‚Äú‚Ķ[…] tem-se dado prioridade a obras que v√£o beneficiar mais a Zona Sul e a Barra. […] o an√ļncio de se colocar ‚Äúbarreiras ac√ļsticas‚ÄĚ de tr√™s metros de altura nas linhas Amarela e Vermelha para que, segundo o prefeito, o barulho n√£o incomodasse os moradores das ‚Äúcomunidades‚ÄĚ (sic). N√£o bastasse a sofreguid√£o com que as autoridades se movimentam para construir a linha Ipanema-Barra do metr√ī (enquanto os moradores dos sub√ļrbios padecem horrores nos trens e esta√ß√Ķes da SuperVia), divulga-se que os estudos para a implanta√ß√£o do trem-bala ligando S√£o Paulo ao Rio (custo: entre 18 e 34 bilh√Ķes de d√≥lares), encontram-se bem adiantados‚ÄĚ.

Agora √© oficial: o Museu da Imagem e do Som ser√° transferido da Pra√ßa XV para a Avenida Atl√Ęntica, em Copacabana. Ora, por que n√£o para Madureira ou Vila Isabel, ber√ßos do samba e celeiros de renomados artistas?

Tijuca e Vila Isabel se transformaram em regi√£o conflagrada pela a√ß√£o de fac√ß√Ķes criminosas. Tiroteios di√°rios e mortes √† luz do dia colocam os moradores em p√Ęnico. H√° pouco mais de um m√™s, traficantes da √°rea chegaram ao c√ļmulo da ousadia: abater um helic√≥ptero da pol√≠cia, matando dois PMs. E continuam l√°, impondo o terror inclusive no ‚Äúasfalto‚ÄĚ. Solu√ß√£o: instalar uma ‚ÄúUnidade Pacificadora‚ÄĚ em Ipanema, no Morro Pav√£o-Pav√£ozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, tamb√©m em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas √ļltimas, o Sr. governador mandou um recado: ‚ÄúJ√° estou avisando para os traficantes irem embora para n√£o haver mais problemas‚ÄĚ. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alem√£o? V√£o permanecer soltos?

Leio na coluna do Ancelmo (O Globo, 4 dez 09) que o governo do estado est√° contratando a empresa de consultoria do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolf Giuliani, com vistas √† Copa do Mundo de 2014 e √†s Olimp√≠adas de 2016. Imagino que os especialistas da firma (e n√£o o pol√≠tico Giuliani) v√£o aconselhar o governador e o prefeito a cuidarem da cidade como um todo, a fim de evitar o efeito bumerangue‚Ķ De qualquer forma, h√° que perguntar: onde a empresa de Giuliani j√° realizou trabalho semelhante com sucesso? A mat√©ria no Ancelmo nos d√° conta de que, contratada para prestar servi√ßos na Cidade do M√©xico por 4,3 milh√Ķes de d√≥lares, n√£o ajudou a mudar muita coisa. Na verdade, o ‚Äúcacife‚ÄĚ da empresa de Giuliani baseia-se na pol√™mica pol√≠tica de ‚ÄúToler√Ęncia Zero‚ÄĚ do ex-prefeito, a qual teria reduzido a criminalidade em Nova Iorque, o que sequer chega a ser meia verdade, como demonstrarei em ‚Äúpost‚ÄĚ pr√≥ximo. Adianto apenas, para reflex√£o, que l√°, no per√≠odo considerado, a criminalidade baixou nacionalmente. Mais: que Manhattan √© uma ilha plana e que o Rio de Janeiro √© uma cidade brasileira sui generis (mesmo para os padr√Ķes brasileiros) que em quase nada se parece com Nova Iorque. No fundo, vamos pagar a Giuliani para ele aprender.

Bem, retomando a idéia de que não podemos perder a oportunidade de promover a integração da Cidade (e desta com o seu entorno), e preocupado com as medidas que têm tido como foco prioritariamente a AP2.1, reitero a sugestão, para garantia da integração, de que o governador, o prefeito e o presidente do COB (e alguns empresários importantes, editores e colunistas dos principais veículos de comunicação) se mudem por um tempo da AP2.1 para a AP3, em especial para a Penha, Madureira ou Marechal Hermes.

* A AP2.1 (√Ārea de Planejamento 2.1) inclui os seguintes bairros: Flamengo, Gl√≥ria, Botafogo, Catete, Laranjeiras, Cosme Velho, Urca, Humait√°, Jardim Bot√Ęnico, Leme, Lagoa, Copacabana, G√°vea, Leblon, Ipanema, Rocinha, Vidigal, S√£o Conrado. E possui uma popula√ß√£o tr√™s vezes e meia menor do que a da AP3, por exemplo. (Sobre os bairros e a popula√ß√£o das demais APs em que se divide o Munic√≠pio do Rio, ver o ‚Äúpost‚ÄĚ IV, Integrar ou Apartar? (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=636).

Imprimir este post Imprimir este post    |