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Jorge Da Silva. Nascido e criado no hoje chamado Complexo de Favelas do Alemão, no Rio, entrou para a PM aos 17 anos, tendo atingido o último posto, o de coronel, aos 43. Atualmente é professor da UERJ.
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APs e UPPs. Zona Sul, Zona Norte e “periferia”

5 de fevereiro de 2010     Deixe seu comentário

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Em “post” anterior (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=786),  chamei a atenção para a contradição de decisão governamental em face do drama vivido pela população da Grande Tijuca e adjacências. Os frequentes assaltos, assassinatos, tiroteioos e o domínio do tráfico tinham chegado ao cúmulo da derrubada, em 17 out 09, de um helicóptero da polícia, com a morte de três policiais. Agora, vê-se que a situação permaneceu a mesma, não se compreendendo por que o assunto foi esquecido por quem NÃO não vive lá. Após a morte do “chefe” do Morro do Salgueiro nesta quarta feira, dia 3, o comércio de boa parte da Tijuca permaneceu fechado por ordem dos traficantes. Estava fechado até ontem à noite, como nos dão conta os jornais.

 

Deu, por exemplo, no Extra Online de ontem, dia 4.:

 

Tiros assustam moradores da Tijuca durante velório de chefe do tráfico do Morro do Salgueiro.       

RIO - O comércio segue fechado na Tijuca, nesta quinta-feira, apenas na Rua General Roca, no quarteirão entre a Rua dos Araújos e a Rua Bom Pastor, por conta da morte do traficante Fabio Barbosa de Moura, o “Fabinho do Salgueiro”. Ao todo, sete lojas não abriram na área, que fica no pé da comunidade. Apenas duas lojas do quarteirão, uma oficina mecânica e um salão de beleza, abriram as portas. Em sinal de luto, dois panos pretos foram estendidos em lajes do Salgueiro.

A propósito, trancrevo a seguir trecho do  “post” acima mencionado, no qual especifiquei exatamente a Tijuca:    

[...] Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?”

 

E agora José, diria Drummond?

 

Obs. Esclareço que não moro na Tijuca, nem próximo a ela.  

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ENQUETE (Para quem NÃO mora na AP2.1 (Zona Sul do Rio))

3 de fevereiro de 2010     19 Comentários, deixe o seu

SEM ENTRAR NO MÉRITO DAS CHAMADAS UPPs, MAS TENDO EM VISTA QUE HÁ DOMÍNIO DO TRÁFICO EM CENTENAS DE “COMUNIDADES” DA CIDADE DO RIO (E DE VÁRIAS CIDADES DO ESTADO), EM QUAIS AS REFERIDAS UPPs DEVERIAM SER INSTALADAS COM PRIORIDADE, SE FOSSE O CASO?  

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TIJUCA NÃO É LAGOA. O RIO DE JANEIRO É A AP2.1

28 de janeiro de 2010     7 Comentários, deixe o seu

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No “post” anterior, abaixo, reiterei a preocupação com a desintegração social do Rio de Janeiro, a qual, a meu ver, vem sendo aprofundada por medidas que, em função das Olimpíadas, têm favorecido, de forma quase que exclusiva, a AP2.1 (Zona Sul) e a Barra. Agora, mais uma gritante evidência desse fato, testemunhada, ou melhor, vivida por este “blogueiro” e alguns colegas da Uerj. Em menos de uma semana, pegamos duas enchentes em frente à Universidade. Após não mais que meia hora de forte chuva, as ruas já estavam inundadas, transformadas em verdadeiros rios. Bueiros entupidos, água dentro das lojas, bares e restaurantes; pessoas com a água e dejetos pelas canelas (caso deste “carioca” do Alemão e de Niterói…); carros enguiçados. Tudo parado, e nada de escoamento, com as pessoas ilhadas. No restaurante em que procuramos nos abrigar, a indignação era geral com o descaso da prefeitura em relação a um problema para o qual a comunidade da Tijuca, Maracanã e adjacências vem pedindo solução há tempos. No dia seguinte ao segundo alagamento, 26 de janeiro, a prefeitura se manifesta, como nos dá conta matéria do Yahoo: “Prefeitura anuncia obra para combater alagamentos na Lagoa“. Conferir o link da matéria:

http://br.noticias.yahoo.com/s/26012010/83/prefeitura-anuncia-obra-combater-alagamentos-na.html

É preciso repartir o bolo de forma mais equânime…

Obs. Se for de interesse, ver “post” abaixo e os “links” ali indicados de outros “posts” sobre esse problema.

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TRÁFICO SAI DA ZONA SUL… (Ou AP2.1 E OLIMPÍADAS (VI))

25 de janeiro de 2010     8 Comentários, deixe o seu

… E VAI PARA A ZONA NORTE, NITERÓI E BAIXADA

 

 

Deu na primeira página de O Globo de ontem, 24 jan.:

 

“Relatórios da polícia revelam que traficantes de favelas com UPPs estão se refugiando em comunidades da Zona Norte, de Niterói e da Baixada, controladas pela mesma facção. Apesar da acolhida, não podem concorrer com a venda de drogas, e, por isso, passaram a atuar em assaltos a bancos e até seqüestros”.

 

Ora, os “relatórios da polícia” apenas confirmam o que qualquer cidadão atento sabia que ia acontecer. No dia 5 de dezembro passado, dando seqüência a uma série de “posts” em que chamo a atenção para a necessidade de se aproveitar as Olimpíadas e promover a integração do Rio de Janeiro (e não para aprofundar a apartação social), escrevi:

 

“Tijuca e Vila Isabel se transformaram em região conflagrada pela ação de facções criminosas. Tiroteios diários e mortes à luz do dia colocam os moradores em pânico. Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: “Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas”. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?” (www.jorgedasilva.blog.br/?p=786)

 

Num dos “posts” anteriores, cheguei a sugerir, mais como um alerta, que o sr. governador, o prefeito e o presidente do COB se mudassem por uns tempos para os subúrbios, com o que a integração social da cidade estaria garantida. Agora, trata-se de um apelo.      

 

A matéria do jornal não deixa dúvida de que o velho vezo de se empurrar os problemas (no caso, a violência e o crime) para a periferia continua vivo. Tem-se a impressão de que os moradores da AP2.1 (Zona Sul)  acreditam sinceramente na fórmula: o que é bom para a nossa área é bom para  toda a cidade (e para todo o Grande Rio…). Se assim for, a alternativa que resta – a quem puder – é mudar-se da Zona Norte, Niterói e Baixada para a AP2.1. Vou me embora pra Pasárgada, diria Drummond.

 

Títulos alternativos deste “post”:

- FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.

- SALVE-SE QUEM PUDER!

 

Os outros “posts” a respeito:

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=917

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=636

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=610

 

 

 

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“TOLERÂNCIA ZERO”. A VERDADEIRA HISTÓRIA E O MARKETING DE GIULIANI NO RIO

18 de janeiro de 2010     7 Comentários, deixe o seu

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Leio na coluna do Ancelmo Gois (O Globo) que o governador Sérgio Cabral descartou a proposta de consultoria do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolf Giuliani (o da política de “tolerância zero”, e que visitou o Morro Dona Marta em junho passado), em razão do alto valor cobrado, US$ 7,5 milhões. Fez bem o governador, menos pelo custo e mais pelo despropósito que seria contratar o edil de Manhattan, como se ele tivesse A SOLUÇÃO para a violência de qualquer lugar do mundo.     

 

Por estas bandas tupiniquins, tem-se como algo dado que Giuliani resolveu o problema da violência em Nova Iorque com uma panacéia infalível; e que, em sua gestão, a criminalidade teria sido reduzida em tantos e tantos por cento (cada um que conta aumenta um ponto…). Quem se der o trabalho de ir além da superfície, verá que não foi bem assim.

 

Houve um momento, década de 1980, em que Nova Iorque chegou ao fundo do poço. A criminalidade e a degradação do espaço público no centro da cidade tinham chegado ao limite. Dezenas de inferninhos e lojas pornô em Times Square e arredores; espeluncas em ruínas e muita prostituição nas ruas. Nem pensar em ir ao degradado bairro negro do Harlem. Em 1989 é eleito David Dinkins, do Partido Democrata, o primeiro negro a eleger-se prefeito da cidade. Este conclamou empresários de todo o País a que investissem em Nova Iorque, de vez que, alegava, aquela era uma cidade de todos os norte-americanos. A própria prefeitura passou a dificultar a concessão de alvarás para determinadas atividades, inclusive para as lojas de venda de bebidas fortes, os chamados “liquors”. E, efetivamente, espaços importantes foram comprados. No lugar dos inferninhos e das espeluncas, apareceram novas construções e lojas elegantes.

 

No que tange à segurança pública, Dinkins nomeou chefe de polícia a Lee P. Brown, outro negro (o dado, no contexto norte-americano, não é irrelevante…), conhecido hoje, mundialmente, como o “pai” da polícia comunitária, que recebeu a incumbência de mudar a forma discriminatória e repressivista como a força policial era empregada (Dinkins também tinha militância política no Harlem). Tem lugar então um amplo programa de reformulação da polícia, inclusive com a incorporação de novos quadros (cerca de 25% de aumento do efetivo em quatro anos). Fato: a curva estatística da criminalidade, que subia há mais de duas décadas, tem uma inflexão. Passa a cair já no segundo ano do seu mandato, e assim continuou mesmo depois que deixou o cargo. 

 

Acontece que Dinkins tinha vencido nas urnas o candidato Giuliani, do conservador Partido Republicano, e os seus opositores não o perdoavam. Então, apesar de a criminalidade haver baixado, e de a cidade vir melhorando a olhos vistos, os adversários o acusavam de ser fraco com o crime. Giuliani elegeu-se com esse discurso, e precisava de alguma coisa para mostrar aos seus partidários e simpatizantes. E veio o que se passou a chamar de “tolerância zero”, ou seja, a volta aos antigos métodos. Na verdade, tanto Dinkins e Brown quanto Giuliani e William Bratton, o chefe de polícia deste, beneficiaram-se do “boom” econômico verificado naquele País. A criminalidade, no período dos dois prefeitos, caiu de forma consistente em todos os Estados Unidos. A Giuliani e Bratton deve-se reconhecer o mérito de terem sabido “surfar” na onda, o que fazem até hoje, com o apoio dos conservadores de todo o mundo. Se algo há de ser copiado deles é a estratégia de marketing. No nosso caso, dentre outras coisas, ficaria faltando a adesão que eles tiveram de setores conservadores da mídia…  

 

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CONSUL DO HAITI, BÓRIS CASOY, RICÚPERO E A CÂMERA INDISCRETA

15 de janeiro de 2010     3 Comentários, deixe o seu

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Em “post” do dia 2 de janeiro, abaixo (”Bóris Casoy, os Garis e o Efeito Ricúpero”), fiz um alerta àqueles a quem chamei de “elitistas enrustidos”. O alerta agora vai além, ou seja, para os “elitistas-racistas enrustidos”. É que ontem, dia 14 de janeiro, o cônsul do Haiti em São Paulo, sem saber que as câmeras da TV já estavam ligadas, foi acometido da mesma incontinência verbal de Bóris e Ricúpero. Deixou escapar o seu verdadeiro sentimento sobre o país e o povo que representa. Achou que era simplesmente um comentário privado, em “off”, com alguém que imaginava ser um dos seus. Clique, veja e conclua.       

 

http://www.youtube.com/watch?v=8GOCjk4L7S0&feature=player_embedded

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ALTA CORRUPÇÃO E A TEORIA DAS “MAÇÃS PODRES” (IV)

12 de janeiro de 2010     1 Comentário, deixe o seu

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Leio nos media que o deputado que foi filmado recebendo maços de dinheiro e os colocando nos bolsos e nas meias decidiu reassumir a presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal. É ele quem vai presidir a Casa durante a análise do pedido de impeachment do governador Arruda e a apuração de denúncias de corrupção contra ele e outros deputados. Idem durante os trabalhos da CPI da Corrupção. Uma das primeiras medidas do deputado-presidente foi proibir a entrada do público no prédio, alegando razões de segurança. Curioso que participarão das investigações até mesmo deputados envolvidos no escândalo e outros aliados do governador. Surrealismo puro…  A propósito, republico abaixo “post” sobre o tema em que falo de três tipos de reação à corrupção. Aí vai:

…………………………………………………………………………………………………………………….

ALTA CORRUPÇÃO E A TEORIA DAS “MAÇÃS PODRES” (III)

13 de dezembro de 2009

“COM A MÃO NA MASSA EM BRASÍLIA”

Este é o terceiro “post” que publico sobre a corrupção dos poderosos, com foco em fatos escabrosos acontecidos em Brasília. Neste, só quero chamar a atenção para um ponto, que tem a ver com a forma como os poderosos acusados de corrupção reagem em diferentes sociedades. Temos três tipos de reação: Em certos países, o poderoso flagrado em ato de corrupção se mata, com vergonha dos amigos, da família e da sociedade. Em outros, é considerado traidor do povo e da Nação, e é fuzilado, tendo a família que pagar o custo da bala. No Brasil, o poderoso pego com a mão na massa não se envergonha nem é considerado traidor do povo, e sim “maçã podre”, com o que todos os demais pares poderosos se salvam. Íntegros até um novo escândalo. Então, o acusado mostra-se, ele sim, indignado com a acusação, desafiando quem quer que seja a provar o provado. O corrupto é que fica indignado. Pergunto: por que é assim no Brasil?

Obs. Para ver os outros dois “posts” sobre o tema, é só clicar: 

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=85 e http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=79.

Bem, por que no Brasil é assim? E o que se pode fazer para fugir à armadilha da teoria das “maçãs podres”?

 

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ENCOSTAS E “ENCOSTAS” (II)

9 de janeiro de 2010     4 Comentários, deixe o seu

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Leio em O Globo desta sexta-feira duas manchetes de primeira página. Uma: Rio vai remover 119 favelas de áreas de risco em 2 anos. A outra: Angra ignorou ordens do TCE para demolir imóveis.

Não quero me repetir. Convido o amigo blogueiro a ler o “post” que publiquei esta quarta-feira sobre os deslizamentos e as mortes em Angra/Ilha Grande e na Baixada, que vai abaixo. Pergunte-se: E as mansões que se vêem nas encostas ”verdes” ao longo da Orla do Rio de Janeiro? 

Sem mais comentários.

 

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ENCOSTAS CARIOCAS E “ENCOSTAS” DE ANGRA-ILHA GRANDE

6 de janeiro de 2010     Deixe seu comentário

 

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Há trinta ou quarenta anos, uma das motivações para a remoção das favelas cariocas ainda era a sua feiúra, em contraste com a beleza da cidade. Daí as inúmeras remoções, procedidas desde o início da República. De uns tempos para cá, os reais motivos, entre eles a especulação imobiliária, cederam lugar a uma outra justificativa: os riscos que correriam os moradores de “áreas de risco”, razão pela qual seria necessário retirá-los dali e impedir que outros para ali fossem, o que se conseguiria com decretos, muros e cercas, ou seja, com a “lei e a ordem”. Enquanto isso, na Costa Verde, nas encostas e morros de Angra e Ilha Grande, na paradisíaca baía do mesmo nome, não haveria necessidade disso. Talvez o inverso, pois ali não haveria riscos…   

 

As chuvaradas do último fim de ano castigaram a capital, as favelas cariocas, a Baixada Fluminense e Angra-Ilha Grande. Mas, curiosamente, as tradicionais “áreas de risco” cariocas nada sofreram, pelo menos aparentemente. Mortes, mais de 70, ocorreram, em maioria, na Baixada e em Angra. Por que “lei e ordem” só num lugar? Por que “dez pesos (sic) e duas medidas?” No fundo, faz sentido… Alguém me convença do contrário. 

 

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BORIS CASOY, OS GARIS E O EFEITO RICÚPERO

2 de janeiro de 2010     8 Comentários, deixe o seu

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ALERTA AOS ELITISTAS ENRUSTIDOS

 

 

O apresentador de TV Boris Casoy não sabia que o sistema de áudio continuava ligado depois que deu a última notícia do Jornal da Band. Logo após, como mensagem de fim de ano, dois garis, a caráter, desejam Feliz Ano Novo aos telespectadores. E a voz de Casoy, enquanto a vinheta de encerramento do Jornal toca, é ouvida: “Que merda…dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros!… o mais baixo da escala do trabalho”. Disse isso rindo e em tom de deboche (conferir em http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js). No dia seguinte, pediu desculpas no ar aos garis e à audiência.  

 

Em 1994, fato idêntico. Às vésperas da eleição presidencial, o então ministro da Fazenda Rubens Ricúpero, enquanto aguardava para ser entrevistado num estúdio da Rede Globo, dizia o contrário do que iria dizer minutos depois na entrevista. O ministro estava empenhado na campanha do candidato FHC, centrada no Plano Real. Em dado momento da descontraída conversa com o jornalista Carlos Monforte, a propósito da variação das taxas do IPC-R, e sem saber que sua conversa estava sendo captada pela antena parabólica (Monforte, aparentemente, também não sabia), afirma: Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim, esconde”.

 

Animado, se oferece: “Se quiser, neste fim de semana podia ver o negócio do Fantástico. [...] Quem é que é? É o Alexandre? [...] Para a Rede Globo foi um achado. Em vez de terem que dar apoio ostensivo a ele, botam a mim no ar e ninguém pode dizer nada. [...] Essa é uma solução, digamos, indireta, né?” Igualmente, Ricúpero pediu desculpas, alegando que o que dissera não representava o seu pensamento.

 

Pergunte-se: qual dos Casoy é o verdadeiro, o da m. ou o da desculpa? E qual Ricúpero, o que confessa não ter escrúpulos ou o que não quis dizer o que disse? Na verdade, estamos aí diante de algo comum na sociedade brasileira: a dupla personalidade, ou do que popularmente chamam de “duas caras”. Em público, o democrata altruísta; em privado, o elitista empedernido.

 

Elitista ou não, preconceituoso ou não (ninguém acha que é, nem eu…), é preciso cuidado. Hoje, além das parabólicas e sistemas de áudio “inteligentes” (a blindagem dos “meios” pode não contar com a adesão dos operadores…), existem as câmeras indiscretas em tudo quanto é lugar, as minicâmeras individuais, os aparelhos de escuta ambiental etc. No limite, é recomendável fazer como os mafiosos. Vão para um lugar ermo, e falam baixinho no ouvido um do outro, com o cuidado de colocar a mão sobre a boca para inviabilizar a leitura labial à distância.

 

Em qualquer caso, a saída é a franqueza, mesmo para assumir o elitismo. Elitismo não é crime.

 

  

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