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Jorge Da Silva. Nascido e criado no hoje chamado Complexo de Favelas do Alemão, no Rio, entrou para a PM aos 17 anos, tendo atingido o último posto, o de coronel, aos 43. Atualmente é professor da UERJ.
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PEC 300, OS PMs E O PRESIDENTE LULA

5 de março de 2010     7 Comentários, deixe o seu

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 A Câmara dos Deputados acaba de aprovar em primeira votação a PEC 300, que fixa piso salarial para os PMs e BMs de todo o Brasil. Claro. Na verdade, em público, um bom número de deputados não quer correr o risco de ganhar a antipatia de centenas de milhares de servidores. Porém, por baixo dos panos, e lépidos, muitos deles, fingidos, aplicam-se no exercício da alquimia legislativa para inviabilizar o pleito. Quero lembrar aqui o que disse o sr. presidente Lula em novembro passado, no momento em que sancionou o plano de carreira da PM de Brasília. Foi o que comentei em “post” de 14 nov 09, do qual transcrevo alguns trechos, como segue:

“Em matéria do G1 do Globo.com (06 e 07 /11/09), assinada pelo jornalista Jéferson Ribeiro, lê-se:
Lula diz que PM precisa ganhar mais para não levar ‘propina da bandidagem’
E segue a matéria: “Segundo ele, sociedade corre risco se policial tiver de ‘fazer bico’. No Distrito Federal, salário inicial de soldado PM é de R$ 4 mil”.A afirmação foi feita após a solenidade em que sancionou o plano de carreira dos PMs do Distrito Federal. O presidente teria dito, sobre a segurança no Rio de Janeiro: “É preciso dar bons salários aos policiais do Rio de Janeiro para a gente exigir que eles cumpram sua função. Se precisar fazer bico, já estamos correndo risco. Se ele ganhar pouco e precisar trabalhar fora já estamos correndo risco”.
Ainda: “Temos que levar em conta o poder dos cofres do estado. Nem todos os estados podem dar o que deu Brasília, que tem uma condição especial. Portanto, não podemos cobrar isso que o DF fez. Não podemos cobrar isso de Roraima, de Alagoas por exemplo”.

Agora, pergunto: por que setores alinhados ao governo trabalham para bombardear a proposta, sob alegações mil? Não dá para entender. E transcrevo outro trecho do referido “post”, em que escrevi:

“Lembro-me de que, por ocasião dos trabalhos da Constituinte, a proposta de que a União criasse uma Guarda Nacional para cuidar da Ordem Interna e das fronteiras (secas, aéreas e marítimas), como acontece em muitos países, foi rechaçada pelas autoridades federais. Alegaram que a medida iria sobrecarregar demais os cofres da União, argumento utilizado para manter as PPMM e os CCBBMM como forças auxiliares e reserva do Exército (Art. 144, § 6º), vale dizer, auxiliares e reserva da União, sem custo para o Governo Federal. Ora, por que a União não pode complementar os salários dos integrantes dessas corporações, como há mais de 20 anos se cogita, pelo menos para fazer face aos serviços que os mesmos prestam especificamente à União (mesmo em tempo de paz)? Não custaria 1/3 do necessário para manter uma Guarda Nacional (não confundir com Força Nacional…). Que tal o presidente Lula não aproveitar a mão e apoiar a aprovação da PEC 300, em tramitação no Congresso? Dinheiro há…”

Não quero entrar no mérito da vinculação que o sr. presidente faz entre corrupção e baixos salários. Mas pergunto: tal significaria que os funcionários que percebem altos salários são imunes à corrupção? A experiência brasileira parece demonstrar o contrário. Bem, voltemos ao tema. Trago à baila uma pergunta que não quer calar: O que têm a dizer, sobre o fato de a PEC 300 ter sido aprovada na Câmara, o sr. presidente e a candidata Dilma? Ora, para dizerem que também aprovam, basta um sim. Para dizerem que não aprovam (claro que não vão dizer), dirão que aprovam, porém… E aí, depois do “porém” – e precedidos dos costumeiros encômios à bravura, à abnegação, ao merecimento e ao heroísmo dos policias – virão torrentes de discurso que, no fundo querem dizer: NÃO.   

É preciso dar nomes aos bois. Dos que são realmente a favor e dos que, aberta ou veladamente, trabalham contra.

 

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ENQUETE: A “DESFUSÃO”, NA PRÁTICA

25 de fevereiro de 2010     12 Comentários, deixe o seu

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DIAS ATRÁS, 10/02, O BLOG PUBLICOU UM “POST” (VER ADIANTE) SOBRE O PROCESSO DE “DESFUSÃO” QUE, NA PRÁTICA, VEM-SE OBSERVANDO ENTRE NÓS, DO QUE É EVIDÊNCIA A DESPROPORCIONAL CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS, SERVIÇOS E PESSOAL NA ATUAL CAPITAL DO ESTADO (EM PARTICULAR NA ZONA SUL), EM DETRIMENTO DO RESTANTE DA CIDADE E DAS DEMAIS CIDADES DO ANTIGO ESTADO DO RIO. É COMO SE ESTIVESSEM REALMENTE PREPARANDO O CAMINHO PARA A DESFUSÃO       

 

ENQUETE: EM CASO DE UMA EVENTUAL DESFUSÃO, A QUEM A MESMA FAVORECERIA?

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“HOW TO LIE WITH STATISTICS”

17 de fevereiro de 2010     6 Comentários, deixe o seu

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COMO MENTIR COM AS ESTATÍSTICAS

 

Estamos nas “Cinzas”, tempo de purgação de pecados e de busca da verdade. A propósito, convido os preocupados com a violência à reflexão sobre os descuidos com a verdade, e refiro o livro How to lie with statistics (Port. Como mentir com as estatísticas) que trata dos descaminhos a que pode levar a forma como os números são “lidos” e divulgados. Exemplo gritante deste fato foi a manchete de primeira página do jornal O Globo do último dia 9 do corrente:

 

 

“Taxa de homicídio no Rio em 2009 foi a menor da década”

 

Era a repetição de uma outra manchete de primeira página, publicada em 18 de outubro passado, no mesmo tom, com igual vício:

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“Números da violência caem no Rio”

 

É compreensível que a mídia não seja mais um fator a contribuir para o medo das pessoas, porém um ensinamento do autor do citado livro adverte para as possibilidades de utilização dos números com outros objetivos: ‘The secret language of statistics [...] is employed to sensationalize, inflate, confuse, and oversimplify’

 

Pergunto: qual o objetivo de “descuidos” tão evidentes? Poupo-me de tentar responder, mas reitero o convite à reflexão, em momento tão propício, o das “Cinzas”. A acurada análise que encontrei no Observatório da Imprensa, de Marcus Miranda, pode ajudar. Aí vai o “link”. É só clicar: 

 

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=577IMQ004

 

Obs. Referência do livro, se for de interesse: HUFF, Darrell. How to Lie with Statistics. New York: Norton, 1954. (Pode ser comprado pela Internet). Não sei se foi traduzido para o português. 

 

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A “DESFUSÃO”, NA PRÁTICA

10 de fevereiro de 2010     13 Comentários, deixe o seu

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A fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro até hoje não foi bem assimilada por determinados setores dos dois antigos estados. Em diferentes momentos surgiram propostas de “desfusão”, sob os mais variados argumentos, o que não é o caso de discutir aqui. A última onda aconteceu há cinco anos, capitaneada pelo movimento “Autonomia Carioca”, que lançou inclusive um site (www.autonomiacarioca.com.br) para aglutinar adeptos. Naqueles dias escrevi:

 

“[...] No bojo das discussões sobre a violência da cidade, um grupo da elite carioca (sic) lançou um movimento para separar o Município do Rio do restante do Estado [...] Um estado à parte, com a mal disfarçada intenção de se livrar da população pobre da Baixada, o que se pode conferir no site do movimento [...]. Independentemente do eventual mérito da proposta, são às vezes risíveis os contorcionismos discursivos de seus adeptos (quase todos da elite econômica, intelectual e política da cidade) ante a contradição de pretenderem se livrar dos pobres da Baixada, mas ficar com o que nela consideram bom. Até mesmo o normalmente lúcido e ponderado comentarista Merval Pereira, dos mais influentes colunistas do jornal O Globo (possui uma coluna diária), sugere:

 

“Faz a desfusão, mas permanecem no Estado da Guanabara II os municípios-dormitórios que o cercam, na Baixada Fluminense e arredores. Seriam cariocas aqueles que trabalham aqui, que procuram os hospitais públicos cariocas – e cujos impostos ajudariam a melhorar o atendimento hoje agonizante principalmente pelo excesso de pacientes”“ (Grifo meu)

 

Grifei o “permanecem” porque [...] o verbo é inadequado. Mais coerente, portanto, seria que Merval empregasse verbos como “incorporar”, “anexar”, “expandir”. (De repente, a frase “seriam cariocas aqueles que trabalham aqui” me traz à mente os antigos bantustões da África do Sul, cujos moradores só podiam circular em Joanesburgo e outras cidades portando passes, com a indicação do que iriam fazer e os horários de permanência).”  (cf. http://www.jorgedasilva.com.br/node/73)

 

Hoje concluo: se os prosélitos da apartação tivessem conseguido o seu intento, teríamos, bem ou mal, dois estados, cada qual com a sua estrutura político-administrativa. O problema é que, como não conseguiram, resolveram investir na “desfusão” informal, na prática. E aproveitam as Olimpíadas para consegui-lo. A esses maus cariocas não interessa o Estado como um todo, e sim os limites do seu umbigo. Talvez não sejam egoístas nem elitistas. Devem acreditar sinceramente que aquilo que é bom para a Zona Sul do Rio é bom para toda a Cidade – e todo o resto (sic) do Estado.  

    

 

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APs e UPPs. Zona Sul, Zona Norte e “periferia”

5 de fevereiro de 2010     2 Comentários, deixe o seu

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Em “post” anterior (http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=786),  chamei a atenção para a contradição de decisão governamental em face do drama vivido pela população da Grande Tijuca e adjacências. Os frequentes assaltos, assassinatos, tiroteioos e o domínio do tráfico tinham chegado ao cúmulo da derrubada, em 17 out 09, de um helicóptero da polícia, com a morte de três policiais. Agora, vê-se que a situação permaneceu a mesma, não se compreendendo por que o assunto foi esquecido por quem NÃO não vive lá. Após a morte do “chefe” do Morro do Salgueiro nesta quarta feira, dia 3, o comércio de boa parte da Tijuca permaneceu fechado por ordem dos traficantes. Estava fechado até ontem à noite, como nos dão conta os jornais.

 

Deu, por exemplo, no Extra Online de ontem, dia 4.:

 

Tiros assustam moradores da Tijuca durante velório de chefe do tráfico do Morro do Salgueiro.       

RIO - O comércio segue fechado na Tijuca, nesta quinta-feira, apenas na Rua General Roca, no quarteirão entre a Rua dos Araújos e a Rua Bom Pastor, por conta da morte do traficante Fabio Barbosa de Moura, o “Fabinho do Salgueiro”. Ao todo, sete lojas não abriram na área, que fica no pé da comunidade. Apenas duas lojas do quarteirão, uma oficina mecânica e um salão de beleza, abriram as portas. Em sinal de luto, dois panos pretos foram estendidos em lajes do Salgueiro.

A propósito, trancrevo a seguir trecho do  “post” acima mencionado, no qual especifiquei exatamente a Tijuca:    

[...] Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?”

 

E agora José, diria Drummond?

 

Obs. Esclareço que não moro na Tijuca, nem próximo a ela.  

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ENQUETE (Para quem NÃO mora na AP2.1 (Zona Sul do Rio))

3 de fevereiro de 2010     21 Comentários, deixe o seu

SEM ENTRAR NO MÉRITO DAS CHAMADAS UPPs, MAS TENDO EM VISTA QUE HÁ DOMÍNIO DO TRÁFICO EM CENTENAS DE “COMUNIDADES” DA CIDADE DO RIO (E DE VÁRIAS CIDADES DO ESTADO), EM QUAIS AS REFERIDAS UPPs DEVERIAM SER INSTALADAS COM PRIORIDADE, SE FOSSE O CASO?  

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TIJUCA NÃO É LAGOA. O RIO DE JANEIRO É A AP2.1

28 de janeiro de 2010     7 Comentários, deixe o seu

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No “post” anterior, abaixo, reiterei a preocupação com a desintegração social do Rio de Janeiro, a qual, a meu ver, vem sendo aprofundada por medidas que, em função das Olimpíadas, têm favorecido, de forma quase que exclusiva, a AP2.1 (Zona Sul) e a Barra. Agora, mais uma gritante evidência desse fato, testemunhada, ou melhor, vivida por este “blogueiro” e alguns colegas da Uerj. Em menos de uma semana, pegamos duas enchentes em frente à Universidade. Após não mais que meia hora de forte chuva, as ruas já estavam inundadas, transformadas em verdadeiros rios. Bueiros entupidos, água dentro das lojas, bares e restaurantes; pessoas com a água e dejetos pelas canelas (caso deste “carioca” do Alemão e de Niterói…); carros enguiçados. Tudo parado, e nada de escoamento, com as pessoas ilhadas. No restaurante em que procuramos nos abrigar, a indignação era geral com o descaso da prefeitura em relação a um problema para o qual a comunidade da Tijuca, Maracanã e adjacências vem pedindo solução há tempos. No dia seguinte ao segundo alagamento, 26 de janeiro, a prefeitura se manifesta, como nos dá conta matéria do Yahoo: “Prefeitura anuncia obra para combater alagamentos na Lagoa“. Conferir o link da matéria:

http://br.noticias.yahoo.com/s/26012010/83/prefeitura-anuncia-obra-combater-alagamentos-na.html

É preciso repartir o bolo de forma mais equânime…

Obs. Se for de interesse, ver “post” abaixo e os “links” ali indicados de outros “posts” sobre esse problema.

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TRÁFICO SAI DA ZONA SUL… (Ou AP2.1 E OLIMPÍADAS (VI))

25 de janeiro de 2010     8 Comentários, deixe o seu

… E VAI PARA A ZONA NORTE, NITERÓI E BAIXADA

 

 

Deu na primeira página de O Globo de ontem, 24 jan.:

 

“Relatórios da polícia revelam que traficantes de favelas com UPPs estão se refugiando em comunidades da Zona Norte, de Niterói e da Baixada, controladas pela mesma facção. Apesar da acolhida, não podem concorrer com a venda de drogas, e, por isso, passaram a atuar em assaltos a bancos e até seqüestros”.

 

Ora, os “relatórios da polícia” apenas confirmam o que qualquer cidadão atento sabia que ia acontecer. No dia 5 de dezembro passado, dando seqüência a uma série de “posts” em que chamo a atenção para a necessidade de se aproveitar as Olimpíadas e promover a integração do Rio de Janeiro (e não para aprofundar a apartação social), escrevi:

 

“Tijuca e Vila Isabel se transformaram em região conflagrada pela ação de facções criminosas. Tiroteios diários e mortes à luz do dia colocam os moradores em pânico. Há pouco mais de um mês, traficantes da área chegaram ao cúmulo da ousadia: abater um helicóptero da polícia, matando dois PMs. E continuam lá, impondo o terror inclusive no “asfalto”. Solução: instalar uma “Unidade Pacificadora” em Ipanema, no Morro Pavão-Pavãozinho-Cantagalo. E mais duas, prometidas para a Ladeira dos Tabajaras e o Morro dos Cabritos, também em Copacabana (e Lagoa). Quanto a estas últimas, o Sr. governador mandou um recado: “Já estou avisando para os traficantes irem embora para não haver mais problemas”. Pergunte-se: Irem embora para onde? Para os morros da Tijuca? Ou os do Alemão? Vão permanecer soltos?” (www.jorgedasilva.blog.br/?p=786)

 

Num dos “posts” anteriores, cheguei a sugerir, mais como um alerta, que o sr. governador, o prefeito e o presidente do COB se mudassem por uns tempos para os subúrbios, com o que a integração social da cidade estaria garantida. Agora, trata-se de um apelo.      

 

A matéria do jornal não deixa dúvida de que o velho vezo de se empurrar os problemas (no caso, a violência e o crime) para a periferia continua vivo. Tem-se a impressão de que os moradores da AP2.1 (Zona Sul)  acreditam sinceramente na fórmula: o que é bom para a nossa área é bom para  toda a cidade (e para todo o Grande Rio…). Se assim for, a alternativa que resta – a quem puder – é mudar-se da Zona Norte, Niterói e Baixada para a AP2.1. Vou me embora pra Pasárgada, diria Drummond.

 

Títulos alternativos deste “post”:

- FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.

- SALVE-SE QUEM PUDER!

 

Os outros “posts” a respeito:

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=917

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=636

http://www.jorgedasilva.blog.br/?p=610

 

 

 

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“TOLERÂNCIA ZERO”. A VERDADEIRA HISTÓRIA E O MARKETING DE GIULIANI NO RIO

18 de janeiro de 2010     7 Comentários, deixe o seu

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Leio na coluna do Ancelmo Gois (O Globo) que o governador Sérgio Cabral descartou a proposta de consultoria do ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolf Giuliani (o da política de “tolerância zero”, que visitou o Morro Dona Marta em junho passado), em razão do alto valor cobrado, US$ 7,5 milhões. Fez bem o governador, menos pelo custo e mais pelo despropósito que seria contratar o edil de Manhattan, como se ele tivesse A SOLUÇÃO para a violência de qualquer lugar do mundo.     

 

Por estas bandas tupiniquins, tem-se como algo dado que Giuliani resolveu o problema da violência em Nova Iorque com uma panacéia infalível; e que, em sua gestão, a criminalidade teria sido reduzida em tantos e tantos por cento (cada um que conta aumenta um ponto…). Quem se der o trabalho de ir além da superfície, verá que não foi bem assim.

 

Houve um momento, década de 1980, em que Nova Iorque chegou ao fundo do poço. A criminalidade e a degradação do espaço público no centro da cidade tinham chegado ao limite. Dezenas de inferninhos e lojas pornô em Times Square e arredores; espeluncas em ruínas e muita prostituição nas ruas. Nem pensar em ir ao degradado bairro negro do Harlem. Em 1989 é eleito David Dinkins, do Partido Democrata, o primeiro negro a eleger-se prefeito da cidade. Este conclamou empresários de todo o País a que investissem em Nova Iorque, de vez que, alegava, aquela era uma cidade de todos os norte-americanos. A própria prefeitura passou a dificultar a concessão de alvarás para determinadas atividades, inclusive para as lojas de venda de bebidas fortes, os chamados “liquors”. E, efetivamente, espaços importantes foram comprados. No lugar dos inferninhos e das espeluncas, apareceram novas construções e lojas elegantes.

 

No que tange à segurança pública, Dinkins nomeou chefe de polícia a Lee P. Brown, outro negro (o dado, no contexto norte-americano, não é irrelevante…), conhecido hoje, mundialmente, como o “pai” da polícia comunitária, que recebeu a incumbência de mudar a forma discriminatória e repressivista como a força policial era empregada (Dinkins também tinha militância política no bairro negro do Harlem). Tem lugar então um amplo programa de reformulação da polícia, inclusive com a incorporação de novos quadros (cerca de 25% de aumento do efetivo em quatro anos). Fato: a curva estatística da criminalidade, que subia há mais de duas décadas, tem uma inflexão. Passa a cair já no segundo ano do seu mandato, e assim continuou mesmo depois que deixou o cargo. 

 

Acontece que Dinkins tinha vencido nas urnas o candidato Giuliani, do conservador Partido Republicano, e os seus opositores não o perdoavam. Então, apesar de a criminalidade haver baixado, e de a cidade vir melhorando a olhos vistos, os adversários o acusavam de ser fraco com o crime. Giuliani elegeu-se com esse discurso, e precisava de alguma coisa para mostrar aos seus partidários e simpatizantes. E veio o que se passou a chamar de “tolerância zero”, ou seja, a volta aos antigos métodos. Na verdade, tanto Dinkins e Brown quanto Giuliani e William Bratton, o chefe de polícia deste, beneficiaram-se do “boom” econômico verificado naquele País. A criminalidade, no período dos dois prefeitos, caiu de forma consistente em todos os Estados Unidos, fato atribuído pelo presidente Clinton - do mesmo partido de Dinkins - aos investimentos do governo em polícia comunitária  (cf. BLUMSTEIN, Alfred et al. The crime drop in America [Port. A queda do crime na América]. Cambridge / New York: Cambridge, 2000, p. 2). A Giuliani e Bratton deve-se reconhecer o mérito de terem sabido “surfar” na onda, o que fazem até hoje, com o apoio dos conservadores de todo o mundo. Se algo há de ser copiado deles é a estratégia de marketing. No nosso caso, dentre outras coisas, ficaria faltando a adesão que eles tiveram de setores conservadores da mídia…  

 

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CONSUL DO HAITI, BÓRIS CASOY, RICÚPERO E A CÂMERA INDISCRETA

15 de janeiro de 2010     3 Comentários, deixe o seu

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Em “post” do dia 2 de janeiro, abaixo (”Bóris Casoy, os Garis e o Efeito Ricúpero”), fiz um alerta àqueles a quem chamei de “elitistas enrustidos”. O alerta agora vai além, ou seja, para os “elitistas-racistas enrustidos”. É que ontem, dia 14 de janeiro, o cônsul do Haiti em São Paulo, sem saber que as câmeras da TV já estavam ligadas, foi acometido da mesma incontinência verbal de Bóris e Ricúpero. Deixou escapar o seu verdadeiro sentimento sobre o país e o povo que representa. Achou que era simplesmente um comentário privado, em “off”, com alguém que imaginava ser um dos seus. Clique, veja e conclua.       

 

http://www.youtube.com/watch?v=8GOCjk4L7S0&feature=player_embedded

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